jun 03 2008

Olá, galera!

Published by zeducando2 under Sem categoria

Caros,

Este é um blog experimental elaborado com o objetivo de testar as funcionalidades do serviço “meublog”.

O primeiro teste mais forte foi a clonagem (importação) do blog que mantenho desde nov/2007, o Zeducando (http://joserosafilho.wordpress.com/). Veio quase tudo OK, exceto os vídeos e algumas formatações, o que em princípio é normal !

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jun 03 2008

O velho e o mar (ou Aleixo Belov, o Amir Klink da Bahia)

Published by zeducando2 under Zuniversitas

A primeira parte do título deste post é proposital, para repetir o artigo que li no excelente suplemento MUITO do A TARDE de domingo último, sobre a vida de um engenheiro-velejador meio maluco, ucraniano de nascimento, mas baiano de coração, chamado Aleixo Belov.

Por que colocar este post no Zeducando e na Zuniversitas ? Porque o exemplo dele é pura educação e tecnologia na prática.

Belov chegou a Salvador com 6 anos de idade, filho de pai comunista, sofreu o diabo na Europa quando pequeno, se formou em Engenharia na UFBA, escreveu alguns livros, constuiu alguns barcos no quintal de sua casa e deu três voltas ao mundo em veleiro solitário, o TRÊS MARIAS, nome dado em homenagem à primeira mulher e suas filhas.

Sobre a vida no mar, ele dá um tapa na nossa consciência pequeno burguesa quando diz sem meias palavras:

‘É MUITO DIFERENTE DAQUELA VIDA MEDÍOCRE DE QUEM ACORDA DE MANHÃ CEDO,
CORRE DO ENGARRAFAMENTO PARA O TRABALHO, TRABALHA, TRABALHA, VOLTA , JANTA, FICA MATANDO O TEMPO EM FRENTE À TELEVISÃO COM UM PROGRAMA ENLATADO. VIAJANDO A VIDA FICA BONITA E VALE A PENA VIVER. VOCÊ TEM CERTEZA DISSO ‘

 

 

 

Agora ele planeja uma nova viagem, após a construção de um veleiro maior (gastou cinco anos nessa labuta), o Fraternidade, para mais ou menos dez pessoas, uma espécie de veleiro-escola, a bordo do qual pretende fazer mais uma viagem de cincunavegação, que ele chama não de um curso qualquer, mas de uma pós-graduação. Quem se habilitar que entre em contato, pois ele não faz restrição nenhuma quanto à formação da tripulação, ele tem seus critérios próprios para seleção.

Sobre a questão da solidão, comum nesses casos de velejadores solitários, ele diz assim: ‘AQUI SOU COMANDANTE, MERINHEIRO, TAIFEIRO, PADRE, JUIZ, PREFEITO E PRESIDENTE. TUDO QUEM DECIDE SOU EU A BORDO DESTE MEU PAÍS FLUTUANTE’ (no livro ‘A volta do mundo em solitário’)

Talvez a história mais interessante contada por ele foi a seguinte, do livro “Terceira volta ao mundo no Veleiro Três Marias“:

‘OS POLINÉSIOS DIZIAM QUE SE NÃO HOUVESSE NADA QUE SUGERISSE O RUMO CERTO A SEGUIR,
ERA PRECISO JOGAR UM PORCO NA ÁGUA E ELE, POR PURO INSTINTO, NADARIA EM BUSCA DA TERRA. SABENDO DISSO, PENSEI MUITO EM EMBARCAR UM PORCO A BORDO, MAS DEPOIS PENSEI MELHOR E EMBARQUEI O GPS’

A seguir um vídeo onde ele mostra sua última obra, o Fraternidade.

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Também é dele esta outra frase: “O sonho é o combustível que nos empurra, nos arrasta para diante. A vida segue e você deixa atrás de si as marcas de suas passadas na superfície da Terra”

Aleixo Belov tem um site de sua empresa de engenharia (http://www.belov.com.br/novo/template.asp?Nivel=000100010001&IdEntidade=326) e outro em construção, este último acredito para seus sonhos náuticos, acho que fez de propósito, só para a gente ficar na expectativa: http://www.aleixobelov.com.br/

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mai 24 2008

Tecnologia e Metodologia

Published by zeducando2 under Midiateca

Uma das maiores questões do uso da Tecnologia em Educação, misturando os dois temas deste blog, num vídeo criativo que diz tudo, ou quase tudo.

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mai 23 2008

Rapadura é doce, mas não é mole, não!

Published by zeducando2 under Piadas e causos

QUANDO SE TEM DOUTORADO

O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1759) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera.(Linneu, 1759) No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.

QUANDO SE TEM MESTRADO

A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO

O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO

Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL

Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO

Rapadura é doce, mas não é mole, não!

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mai 19 2008

Ciências, arte e acaso

Published by zeducando2 under Artigos e textos

Ao lado de Armando Nogueira e do falecido João Saldanha, Tostão é um dos raros casos neste país de cronista que consegue escrever sobre futebol com criatividade e arte. Publico agora seu texto “Ciência, arte e acaso“, destacando as seguintes passagens:

“Grande parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade e no que não foi ou que não pode ser dito”.

“Na Europa se jogava futebol de prosa e, no Brasil, futebol de poesia” (Pasolini).

“Jogadores europeus são equilibrados, brasileiros são equilibristas. Europeus são donos do campo, pela disciplina tática e ocupação dos espaços, brasileiros são os donos do jogo, pela improvisação e intimidade com a bola” (Chico Buarque)

 

CIÊNCIA, ARTE E ACASO  -  Jornal O POVO, domingo, 18/05/2008 - 8)
Nesta semana, em uma caminhada pela cidade, na tentativa de fortalecer a corpo e embelezar a alma, um leitor me disse, em educada crítica, que tenho valorizado demais o acaso. É verdade. Mas isso não diminuiu a importância que dou à ciência, à técnica e à arte do futebol. Talvez essa preocupação seja conseqüência também do tempo, de quem passou dos 60 anos. Ficamos mais vulneráveis às armadilhas do acaso.

Acaso não é destino. Nada está escrito. A desculpa do destino serve de consolo para enganar os relapsos e incompetentes e para fugir da culpa. Acaso não tem nada a ver também com o além nem com a vontade dos deuses do futebol. Acaso não é o que não possa ser explicado hoje pela ciência e que será amanhã conhecido. Esse desconhecimento serve de estímulo para a ciência aprofundar os estudos e para os racionais cientistas diminuírem a prepotência de que já sabem tudo.

Os iluministas achavam que a razão era o único caminho para atingir à sabedoria, que a natureza e todas as coisas tinham a mesma lógica da matemática e que, somente pela razão e conhecimento, os homens seriam melhores e mais felizes. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário. Além disso, perceberam que grande parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade e no que não foi ou que não pode ser dito.

O acaso a que me refiro e valorizo é o que não tem nada de especial, mas que não foi planejado nem previsto, e que pode mudar nossas vidas, a história de um jogo de futebol, de um país e até o destino da humanidade. Com freqüência, não há sincronia entre o resultado e a história de um jogo de futebol. Dezenas de imprevistos, como uma bola desviada, mudam tudo. Depois da partida, na nossa racionalidade e com bons argumentos, tentamos dar uma explicação convincente para os fatos.

“Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde. O apito final estabiliza violentamente aquilo que, no transcorrer do jogo, parece um rio catastrófico de mil possibilidades, a nos arrastar com ele.” (Aspectos trágicos do futebol - Nuno Ramos).

Em 1971, o cineasta Pasolini escreveu que na Europa se jogava futebol de prosa e, no Brasil, futebol de poesia. Tempos atrás, Chico Buarque chamou os jogadores europeus de equilibrados e os brasileiros de equilibristas. Disse ainda que os europeus eram os donos do campo, pela disciplina tática e ocupação dos espaços, e os brasileiros eram donos do jogo, pela improvisação e intimidade com a bola. Geniais.

Hoje, está quase tudo igual. Por causa da ciência do esporte e do mundo globalizado, o futebol evoluiu, para o bem e para o mal, e se transformou em um jogo excessivamente técnico (tecnicista), tático, veloz, físico e ensaiado. O futebol e a vida continuam prazerosos e bonitos, porque, mesmo em situações previsíveis, comuns e repetitivas, haverá sempre o acaso e um artista, um craque, para transgredir e reinventar a história.


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mai 16 2008

Caminhando e Cantando

Published by zeducando2 under Baú de livros, Midiateca

Fazendo uma sexta um pouco fora dos padrões deste espaço (sem piadas ou causos), segue a “canção tema” deste blog, ”Prá não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, também homenageando os 40 anos de 1968, certamente um dos mais densos da história do ocidente moderno e de nosso próprio país.

E uma excelente dica para todos: livros em mp3, mais uma possibilidade do ciberespaço, no site “Áudio livros em mp3″, onde se pode baixar e ouvir (!) livros como este do Zuenir Ventura: 1968 - O ANO QUE NÃO TERMINOU !  :)
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Clique abaixo para ver a letra da música:

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mai 13 2008

13 de maio (de 1888)

Published by zeducando2 under Artigos e textos

Republico o post “Em homenagem ao dia da consciência negra e á revolta da chibata” (de 22/11/2007) pelo dia de hoje, data por demais significativa para o Brasil, para a Bahia em especial, e para o Ceará, não à toa chamada de “Terra da Luz”, mas exatamente porque foi em Redenção, cidade interiorana, onde pela primeira vez os escravos foram libertos neste país, em primeiro de janeiro de 1883. Na entrada da cidade pode-se apreciar o monumento abaixo.

Precursor desse acontecimento, outro fato e personagem marcante da história: o jangadeiro Francisco José do Nascimento, o “Dragão do Mar”, de apelido “Chico de Matilde”. Ele se recusou a transportar para os navios negreiros, fundeados no porto de Fortaleza, os escravos que seriam vendidos para o sul do país, isso em 1881.

A REVOLTA DA CHIBATA

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(João Cândido, o Almirante Negro)

O Congresso brasileiro restabeleceu, no mês de agosto de 2003, os direitos de todos os marinheiros envolvidos na chamada “Revolta da Chibata”, ocorrida em 1910. O decreto devolve aos marinheiros suas patentes, permitindo que recebam na Justiça os valores a que teriam direito se tivessem permanecido na ativa. Após 93 anos, resgata-se a memória dos marujos, especialmente do líder da Revolta, João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”.

Para entender a história de João Cândido e da Revolta da Chibata - uma das poucas revoltas populares que atingiu seus objetivos no Brasil - é preciso voltar a 1910. Neste ano, no meio de uma grande instabilidade política, o militar Hermes da Fonseca é eleito para a presidência.

Na noite do dia 22 de novembro de 1910, o novo presidente recebe a notícia: os canhões de alguns dos principais navios de guerra da Marinha Brasileira – neste momento ancorados em frente à cidade, na Baía de Guanabara - apontam para a capital do Rio de Janeiro e para o próprio palácio de governo. As tripulações se rebelaram e tomaram os principais navios da frota.

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(O Minas Gerais, um dos modernos navios recém-adquiridos pela Marinha na época da Revolta)

Três oficiais e o comandante do encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves, estão mortos. Os demais oficiais são pegos de surpresa: os marinheiros manobram a frota exemplarmente, como não acontecia sob seu comando. O movimento, articulado por marinheiros como Francisco Dias Martins, o “Mão Negra” e os cabos Gregório e Avelino, tem como seu porta-voz o timoneiro João Cândido.

A última chicotada

Os motivos principais da Revolta eram simples: o descontentamento com os baixos soldos, a alimentação de má qualidade e, principalmente, os humilhantes castigos corporais. Estes haviam sido abolidos no começo do século, acompanhando o final da escravidão, sendo depois reativados pela Marinha como forma de manter a disciplina a bordo.

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(Ao lado de um dos Marinheiros, João Cândido lê o manifesto da Revolta: fim dos castigos corporais)

No Minas Gerais, por exemplo, no dia da Revolta, o marinheiro Marcelino Menezes é chicoteado como um escravo por oficiais, à frente de toda a tripulação. Segundo jornais da época, recebe 250 chibatadas. Desmaia, mas o castigo continua. O movimento então eclode. João Cândido no primeiro momento não está presente. No calor da luta, são mortos os oficiais presentes no navio, o que terá conseqüências trágicas para os revoltosos.

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(Para surpresa dos oficiais a marujada manobrava sozinha os navios)

Além do Minas Gerais, os marinheiros tomam os navios Bahia, São Paulo, Deodoro, Timbira e Tamoio. Hasteiam bandeiras vermelhas e um pavilhão: “Ordem e Liberdade”. A frota inclui mais de 80 canhões, que são apontados para a cidade. Alguns tiros de aviso chegam a ser disparados. Os marujos enviam um radiograma, onde apresentam ao governo suas exigências: querem o fim efetivo dos castigos corporais; o perdão por sua ação e que melhorem suas condições de trabalho.

A Marinha quer punir a insubordinação e a morte dos oficiais. O governo, contudo, cede. A ameaça à cidade e ao poder de Hermes da Fonseca são reais. Aprovam-se então medidas que acabam com as chibatadas e também um projeto que anistia os amotinados. Depois de cinco dias, a revolta termina vitoriosa.

A despedida do marinheiro

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(Os jornais da época anunciam o término da Revolta: quase 3.000 pessoas. Os mais ricos - fugiram da cidade. A população subiu aos morros para ver as manobras da Armada)

Os marinheiros, em festa, entregam os navios. O uso da chibata como norma de punição disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil finalmente está extinto.

Logo, no entanto, o governo trai a anistia. Os marinheiros começam a ser perseguidos. Surgem notícias de uma nova revolta, desta vez no quartel da Ilha das Cobras. O governo recebe plenos poderes do Congresso para agir. A ilha é cercada e bombardeada.

Cerca de 100 marinheiros são presos e mandados, nos porões do navio “Satélite” - misturados a ladrões, prostitutas e desocupados recolhidos pela polícia para “limpar” a capital - para trabalhos forçados na Comissão Rondon, ou simplesmente para serem abandonados na Floresta Amazônica. Na lista de seus nomes, entregue ao comandante do “Satélite”, alguns estão marcados por uma cruz vermelha. São os que morrerão fuzilados e, depois, serão jogados ao mar.

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(João Cândido é conduzido para a prisão)

João Cândido, embora não tenha participado do novo levante, também é preso e enviado para a prisão subterrânea da Ilha das Cobras, na noite de Natal de 1910, com mais 17 companheiros. Os 18 presos foram jogados em uma cela recém-lavada com água e cal. A cela ficava em um túnel subterrâneo, do qual era separada por um portão de ferro. Fechava-a ainda grossa porta de madeira, dotada de minúsculo respiradouro. O comandante do Batalhão Naval, capitão-de-fragata Marques da Rocha, por razões que ninguém sabe ao certo, levou consigo as chaves da cela e foi passar a noite de Natal no Clube Naval, embora residisse na ilha.

A falta de ventilação, a poeira da cal, o calor, a sede começaram a sufocar os presos, cujos gritos chamaram a atenção da guarda na madrugada de Natal. Por falta das chaves, o carcereiro não podia entrar na cela. Marques da Rocha só chegou à ilha às oito horas da manhã. Ao serem abertos os dois portões da solitária, só dois presos sobreviviam, João Cândido e o soldado naval João Avelino. O Natal dos demais fora paixão e morte.

O médico da Marinha, no entanto, diagnosticou a causa da morte como sendo “insolação”. Marques da Rocha foi absolvido em Conselho de Guerra, promovido a capitão-de mar-e-guerra e recebido em jantar pelo presidente da República.

João Cândido continuou na prisão, às voltas com os fantasmas da noite de terror. O jornalista Edmar Morel (1979, p. 182) registrou assim seu depoimento pessoal: “Depois da retirada dos cadáveres, comecei a ouvir gemidos dos meus companheiros mortos, quando não via os infelizes, em agonia, gritando desesperadamente, rolando pelo chão de barro úmido e envoltos em verdadeiras nuvens da cal. A cena dantesca jamais saiu dos meus olhos.

Atormentado pela lembrança dos companheiros mortos, João Cândido é algum tempo depois internado em um hospício.

Perto do mar, as “pedras pisadas do cais”

Aos poucos, ele se restabelece. É solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes não o aceitam: nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido. João Cândido continuará contudo perto do mar, até morrer, em 1969, aos 89 anos de idade, como simples vendedor de peixe.

Os que fizeram a Revolta da Chibata morreram ou foram presos, desmoralizados e destruídos. Seu líder terminou sem patente militar, sem aposentadoria e semi-ignorado pela História oficial. No entanto, o belíssimo samba “O Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre “nas pedras pisadas do cais”. A mensagem de coragem e liberdade do “Almirante Negro” e seus companheiros resiste.

HOMENAGEM DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC À “REVOLTA DA CHIBATA”

Sobre a censura à música, o compositor Aldir Blanc conta: “Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (…) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o “bonzinho”, disse mais ou menos o seguinte:

  • Vocês não então entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando…
  • Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um “telefone” nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:

- O problema é essa história de negro, negro, negro…”

MÚSICA DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANCI

EM HOMENAGEM A REVOLTA DA CHIBATA

Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre “nas pedras pisadas do cais”. A mensagem de coragem e liberdade do “Almirante Negro” e seus companheiros resiste.

Para ouvir: http://www.divshare.com/download/2850321-faa

O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(letra original sem censura)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

O Mestre Sala dos Mares
(João Bosco / Aldir Blanc)
(letra após censura durante ditadura militar)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

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mai 12 2008

O país do quem diria

Published by zeducando2 under Artigos e textos

Inicio esta semana postando aqui, pela primeira vez, uma crônica do Veríssimo (Luis Fernando Veríssimo), o autor do Analista de Bajé e de tantos outros livros e textos que nos divertem e fazem pensar. Este, como não poderia deixar de ser vndo das bandas do sul, é mais uma crítica bem-humorada ao atual governo Lula. Se deleitem então com esse “O país do quem diria” publicado nos principais jornais brasileiros nesse último fim-de-semana.

Um brasileiro que tivesse ido para o espaço em 2002 e voltado agora teria toda a razão para estar tonto, e não apenas pelo choque da reentrada na atmosfera. Teria viajado em meio a manifestações de pânico do mercado financeiro com a iminência da eleição do Lula e voltado em meio à festa pelo governo Lula ter recebido a mais alta condecoração que a cabala financeira mundial pode dar, a Medalha do Pagador Confiável, grau de convertido mor. Nosso perplexo viajante no espaço não pararia de repetir a frase mais ouvida no país das expectativas furadas, nestes últimos tempos: “Quem diria… Quem diria…”

Quem diria que quem um dia pregou o calote acabaria um pagador premiado? Quem diria que os barbudos que mudariam tudo quando chegassem ao governo, começando pela política econômica, não apenas continuariam a mesma política como conseguiriam o reconhecimento internacional que as fatiotas do governo anterior não alcançaram?

Quem diria que em vez do caos que previam com a eleição do Lula os bancos se vissem, no seu governo, favorecidos e ricos como nunca antes? Quem diria que, com sua aprovação popular empatando com a aprovação da irmandade financeira, o governo do PT se transformaria num exemplo inédito de populismo conservador?

É verdade que o “quem diria” pode ser dito com tanto quanto agradável surpresa, dependendo da expectativa furada de cada um. Para quem tinha esperanças mais de esquerda, a decepção com o conservadorismo do PT no governo, mesmo compensada com o golpe para a auto-estima do patriciado brasileiro que é o prestígio do torneiro-mecânico nas altas rodas do dinheiro, e mesmo com os avanços simultâneos havidos na distribuição de renda no país, ainda é uma decepção.

Para quem já estava fazendo as malas para fugir do caos em 2002, mesmo após o Lula ter avisado que não faria nada do que eles estavam temendo no governo, o “quem diria” vem acompanhado de um sorriso incrédulo. Quem diria que seria logo num governo do PT a apoteose do pensamento único?

O grau de país seguro para investimentos significa, em linguagem menos cabalística, que é seguro jogar neste cassino. O crupiê não tira cartas da manga, a roleta está no nível certo. A analogia só não é completa porque nos cassinos reais a casa costuma ganhar mais do que os apostadores e, no Cassino Brasil, onde o dinheiro entra e sai sem controles — e agora entrará e sairá com mais volume —, a casa é a que menos ganha.

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mai 09 2008

Uma imagem vale mais do que mil palavras

Published by zeducando2 under Zuniversitas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Vai dizer isto com uma imagem.”

Millôr Fernandes


                    			

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mai 08 2008

Afinal, nosso Estado é laico ou não ?

Posto abaixo, para reflexão, o excelente e atualíssimo artigo do jornalista Hélio Schwartsman sobre Ciência, Religião e Estado, publicado na Folha ONLINE em 31/01/2008.

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Ciência sob ataque

Se eu fosse exagerado, diria que a ciência brasileira está sob ataque. Como
não sou, parece mais adequado afirmar que ela vem enfrentando percalços imprevistos.
Há duas semanas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou de
um evento criacionista e, em seguida, defendeu o ensino de teorias “alternativas”
ao darwinismo. Poucos dias depois, reportagem da Folha (só para assinantes)
mostrava que cerca de uma centena psicólogos, advogados, antropólogos e educadores
procurava, através de um abaixo-assinado, impedir um grupo de neurocientistas
de levar a cabo pesquisa que pretende esquadrinhar o cérebro de 50 adolescentes
homicidas de Porto Alegre em busca de marcadores biológicos.

Investidas anticientíficas não são propriamente uma novidade, que o digam
Giordano Bruno e Galileu Galilei. Mesmo em tempos de maior liberdade intelectual,
como a Grécia Antiga, experimentadores do quilate de Eratóstenes e Arquimedes
enfrentavam um certo desdém de filósofos puramente especulativos, então mais
afinados com o “Zeitgeist”. O inquietante no caso brasileiro é que os ataques
partam, senão de aliados, ao menos de grupos e instituições que deveriam
em tese apoiar a ciência. Afinal, Marina Silva, na condição de ministra,
representa o Estado brasileiro. Já psicólogos, antropólogos e pedagogos,
embora não costumem militar nas fileiras da “hard science”, são –ou deveriam
ser– aquilo que antigamente chamávamos de “Geistwissenschaftler”, ou seja,
simplificando um pouco, cientistas sociais, os quais deveriam, pelo menos
etimologicamente, estar comprometidos com o método científico.

Comecemos pelo caso mais gritante, que é o dos patrulheiros epistemológicos.
De minha parte, considero a neurociência um campo fértil e promissor, do
qual tem emergido muito material interessante para “insights” e reflexões.
Admito, entretanto, que nem todo mundo precisa pensar como eu. É perfeitamente
possível tachar sociobiologia, psicologia evolutiva e genética como “reducionistas”
–o que quer que isso signifique. Mais até, é legítimo preocupar-se com o
efeito que determinadas descobertas possam ter sobre a sociedade. Imagine-se,
por hipótese, que se desenvolva um método de diagnosticar, ainda antes do
nascimento, indivíduos mais propensos a tornar-se criminosos quando adultos.
Tais embriões poderiam ser abortados? Se sim, por decisão de quem? Do Estado?
Dos pais? São questões apaixonantemente controversas. E, por mais intransigentes
que possamos ser na defesa da vida e da pluralidade humanas, nada justifica
deixar de realizar um estudo cujos protocolos éticos se mostrem adequados,
como é o caso do experimento gaúcho. Ele não implica nenhum risco ponderável
para as “cobaias” e só ocorrerá se os pesquisadores obtiverem o consentimento
esclarecido dos jovens e de seus pais ou responsáveis e também a autorização
da Justiça.

Não é porque os nazistas cometeram atrocidades evocando a genética –equivocadamente,
ressalte-se– que devemos renunciar a compreendê-la. Se um dia investigações
nesse campo levarem a tecnologias eugênicas, precisaremos discutir caso a
caso a moralidade de sua aplicação. De minha parte, como princípio geral,
acho que pais devem poder escolher se vão ou não ter filhos com determinadas
doenças incapacitantes.

Qualquer que seja nossa posição pessoal, quer acreditemos que a vida é um
dom de Deus, quer a consideremos o encontro inopinado de átomos de carbono
com um pouco hidrogênio e oxigênio, não faz muito sentido que um cientista
social –ou qualquer outra pessoa minimamente ilustrada– se oponha à realização
de um experimento capaz de ampliar nosso conhecimento por temor das implicações
que tal conhecimento possa ter. Se os nossos solertes “Geistwissenschaftler”
estão tão certos de que a empreitada dos neurocientistas dará com os burros
n’água –possibilidade bastante real– que critiquem, como convém ao método
científico, os resultados do experimento, não sua realização. Se estão tão
certos de que a neurociência encerra o ovo da serpente, que o demonstrem
com base em evidências e encadeamentos lógicos, não com ilações e palavras
de ordem. Minha sensação é a de que essa gente, ao defender a proibição pura
e simples, repete os argumentos com os quais a Igreja Católica impedia a
dissecação de cadáveres e promovia outros vetos francamente obscurantistas.

Voltemos agora ao mais delicado caso do criacionismo ministerial. Marina
Silva tem, como cidadã, o direito de professar a fé que bem desejar. Mais
até, não é porque se tornou ministra de um Estado nominalmente laico que
precisaria deixar de comparecer aos cultos de sua igreja, a Assembléia de
Deus. Ela, entretanto, avançou o sinal quando participou do 3º Simpósio sobre
Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São
Paulo, e, à saída, ainda deu uma entrevista na qual, no melhor estilo dos
“neocons” dos EUA, sustentou que visões de mundo criacionistas devem ser
ensinadas nas escolas, para que os alunos possam decidir por si mesmos.

Estamos aqui diante de dois problemas. Em primeiro lugar, Marina deveria
ter-se recusado a participar do evento, pela simples razão de que não foi
convidada para falar na condição de simples fiel da Assembléia, ou teóloga,
mas sim por ser ministra do Meio Ambiente, ou seja, uma representante do
Estado. E, nos termos do artigo 19 da Constituição, é vedado ao Estado “estabelecer
cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento
ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”.
Essa, entretanto, é a falta menos grave, que seria facilmente perdoável,
se a ministra não tivesse em suas declarações abraçado também a pedagogia
ultraconservadora, que pretende transformar fatos comprováveis em comprovados
em questões abertas a escrutínio religioso.

Não conheço as opiniões hidrostáticas do papa, mas não importa o que ele
pense ou decrete acerca da fervura da água, o fato é e será que, em condições
normais de temperatura e pressão, ela ferve a 100ºC. De modo análogo, independentemente
do discurso religioso, as bases gerais da teoria evolutiva mais ou menos
como postulada por Charles Darwin no século 19 estão cabalmente comprovadas.
Falácias criacionistas não vão mudar isso. O rol de evidências pró-Darwin
é extenso. Vai da totalidade do registro fóssil até aqui coletado –e nunca
falseado por nenhum despojo geologicamente impossível_ até a capacidade de
fazer previsões sobre o futuro, como o surgimento de cepas de bactérias resistentes
a novas classes de antibióticos.

O criacionismo em sua mais nova roupagem –o tal do design inteligente–
sustenta que a evolução é “apenas” uma teoria e cheia de supostas dificuldades,
como se tudo em ciência não fosse “apenas uma teoria”, aí incluída a teoria
da gravidade. Seu argumento básico é o de que seres vivos são complexos demais
para ter surgido “por acaso”: se eu encontro um relógio, a sutileza e a precisão
das roldanas e engrenagens, me autoriza a supor um relojoeiro; de modo análogo
a arquitetura de estruturas como asas e olhos permitiria inferir um Criador.

“Non sequitur”, que, em bom português, significa: é pura bobagem, coisa de
quem não entendeu (ou fingiu que não entendeu) o bê-á-bá do darwinismo. Embora
mutações nos seres vivos de fato ocorram aleatoriamente, a seleção subseqüente
–que conserva o que é útil e despreza o que não o é– nada tem a ver com
acaso. Ela é, se quisermos, o avesso do acaso. Trata-se, na verdade, de um
dos poucos processos naturais que conseguem simular o trabalho de projetistas.
Só que funciona ao contrário. Ao preservar traços mesmo que milimétricos
de utilidade e descartar todas as mutações que não servem para nada (a maioria
delas resulta em cânceres, é oportuno lembrar), a seleção consegue, ao longo
de inúmeras gerações, produzir estruturas que passam por entidades concebidas
por uma inteligência.

O que o criacionismo faz é, apoiando-se nessa ilusão, impingir raciocínios
capengas que soarão convincentes a alunos com pouco treinamento epistemológico
e já socialmente orientados a “aceitar a palavra de Deus”. Admitir que padres
e pastores profiram tais sandices em epistemológicas em seus templos é uma
necessidade democrática. Mas não faz nenhum sentido repeti-las nas salas
de aula de um Estado laico. Fatos sobre o mundo não são matéria que se decida
com base em convicções pessoais ou maiorias.

E, infelizmente, os neocriacionistas não se contentam em acreditar em Deus.
Querem, sabe-se lá por qual motivo, revestir seu delírio de vestes científicas.
Só que estas não lhe cabem.

O grande erro da comunidade científica norte-americana foi ter esperado tempo
demais antes de reagir às investidas criacionistas, deixando que o discurso
pseudocientífico e aparentemente democrático prosperasse e ganhasse terreno.
Infelizmente, nós, no Brasil, estamos repetindo esse equívoco. Vale lembrar
que o pio casal Garotinho já introduziu o ensino do criacionismo nas escolas
da rede pública do Rio de Janeiro. Consertar as coisas agora será um deus-nos-acuda.

Não deixa de ser irônico que os mesmos sociólogos, advogados e psicólogos
que até há pouco se erigiam em defensores máximos das liberdades agora propugnem
pela censura a pesquisas, e os mesmos religiosos criacionistas que poucos
séculos atrás queimavam livros e pessoas agora recorram à liberdade de pensamento
para apregoar tolices na escola pública. Não acredito em deuses, mas, é forçoso
reconhecer que eles têm um senso de humor infernal.

(Hélio Schwartsman, 42, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia,
publicou “Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão”
em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas).

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