abr 23 2008

Educação, Tecnologias e Representações Sociais

Published by zeducando2 at 5:10 am under Baú de livros, Zuniversitas

Republicando hoje este post de 14 de março, com a parte final contendo comentários sobre erros e destaques deste livro.

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No momento em que vejo este blog ser acessado nos quatro continentes (faz de conta que não conheço a possibilidade técnica do proxy, é melhor para o ego de qualquer um), me vejo lançando um livro em papel, o primeiro, juntamente com outros autores, alunos e professores, da Universidade do Estado da Bahia - Uneb.

No início deste blog, em outubro do ano passado, postei, como “aperitivo“, a introdução do artigo que escrevi para este livro, intitulado originalmente:  “HIPERTEXTO: EVOLUÇÃO HISTÓRICA, A EPOPÉIA DA COMUNICAÇÃO DO HOMEM, DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0″. No livro o título do artigo ‘encolheu’ um pouco e saiu assim: “HIPERTEXTO: DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0″.

Valendo-me da liberdade que este mundo hipertextual e hipermidiático nos oferece, posto a seguir a íntegra da primeira versão deste trabalho, um pouco diferente do que saiu impresso.

          Como não poderia deixar de ser, também faço questão de registrar aqui a crítica de que o meu texto, e os de outros autores, sobretudo os que escreveram mais sobre Tecnologia, infringiu a Lei de Moore, pois o início da gestação do artigo data de mais ou menos março do ano passado, portanto temos quase um ano até o lançamento do livro, e em Tecnologia um ano é muito.

          Hoje, portanto, completo a ‘trilogia básica da vida’ que meu pai tanto falava: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.  

Para baixar o artigo, numa de suas primemiras versões, ainda com o título original e com o abstract, acesse: 

http://www.divshare.com/download/4055575-792

Após dois lançamentos deste livro, um em 14 de março e outro em 04 de abril, e depois de degustar página a página as preciosidades ali contidas, faço agora na continuação deste post, comentários, em duas seções abaixo, sobre os erros que consegui enxergar e os destaques que mais me tocaram.

Esclareço que o que escrevo aqui se refere principalmente à primeira parte do livro, “Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação”.

Sobre a segunda parte, coloco apenas no final uma bela citação-poesia que para mim sintetiza as Representações Sociais no âmbito educacional.

I – COMENTÁRIOS SOBRE OS ERROS ENCONTRADOS

 

1)     SUMÁRIO, página 5, a palavra “Edu-comunicação” está errada, o correto é como saiu na página 81: “Educomunicação”;

 

2)     PREFÁCIO, página 3, rodapé 3, “Este temática”, ao invés de “Esta temática”;

 

3)     GLOBALIZAÇÃO,TECNOLOGIA E OS PRESSUPOSTOS DA APRENDIZAGEMO ON-LINE: página 18, falta vírgula entre “político” e “cultural” no primeiro parágrafo;

 

4)     Página 29: no penúltimo parágrafo as palavras “mais importantes” estão repetidas;

 

5)     Genti foi citado na página 19 mas não consta na s Referências.

 

6)     HIPERTEXTO: DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0: página 51, faltou o destaque na última citação sobre texto – negrito;

 

7)     Página 54: no segundo parágrafo, falta uma vírgula antes das palavras “foi fundada”;

 

8)      Página 57: no último parágrafo falta vírgula após “à época”;

 

9)     Página 58: no final do primeiro parágrafo falta o “o” de oNLineSystem;

 

10)  Página 59: no final do segundo parágrafo o correto seria uma vírgula e não um ponto, em: “…o localizados uniforme de recursos, a combinação do protocolo…”

 

11)  INDAGAÇÕES SOBRE A COMUNICAÇÃO DIGITAL COM FOCO NA EDUCAÇÃO ON-LINE: página 68, há notas de rodapé por exemplo de McLuhan e Negroponte, por que se elas também aparecem na Referência ?

 

12)  A EDUCOMUNICAÇÃO E A PRODUÇÃO DE MÍDIAS ALTERNATIVAS: página 92, erro na citação “… a terceira onda coincide com AO advento…” e faltou pular linha após o título “A perspectiva sócio-construtivista”.

 

13)  O PAPEL DO EDUCADOR NA SOCIEDADE INFORMÁTICA: página 111, no meio do primeiro parágrafo a palavra “atividades” está separada em “ativi dades” e na referência a KENSKI as palavras “pelas tecnologias” estão juntas;

 

14)   A INFLUÊNCIA DAS MÍDIAS NA EDUCAÇÃO LIMITES E POSSIBILIDADES: página 114, no último parágrafo a palavra “são” está com acento grave no “a”.

 

15) As figuras presentes nas páginas 141 e 216 são as mesmas (mediação simbólica de Vigotski). Apesar de ser um livro coletânea de artigos, talvez uma revisão com a visão geral do livro tirasse e outras possíveis redundâncias;

 

16) No SUMÁRIO, nos respectivos artigos, há referências diferentes entre as professoras Maria Olívia e Maria Ornelas, apenas nesta última constando “Prfa. Dra.”. Entendo que no caso deste livro não deveria constar qualquer referência a este respeito, pois se fosse colocado para uma teria que colocar também para a outra e para os demais autores (vi que pelo menos dois também são Professores e Doutores);

 

17) A última crítica não é ao livro propriamente dito e sim a própria ABNT no caso das citações de autores no decorrer de um artigo, algo no mínimo eivado de falta de inteligência, para dizer o mínimo. Exemplo simples: na página 18 aparece a primeira citação deste tipo: SANTOS. Pergunto: que Santos? Há uma porção deles, no céu e na área específica do livro. Para saber o leitor tem que interromper a leitura, ir ao final do artigo e ler que Santos é nas Referências, e depois retornar ao ponto de partida, lusitanismo puro, que me perdoem nossos avós “D’alen Tejo”. Mas isso vai ser assunto de uma pesquisa e artigo que ainda pretendo escrever, mesmo ao arrepio da comunidade acadêmica, ou parte dela, porque vou propor concretamente outra forma, simples e objetiva, para solucionar essa questão.

 

II – DESTAQUES

 

     Dentre os vários artigos que li, destaco os seguintes trechos:

 

1)  PREFÁCIO

 

Página 1, segundo parágrafo:

 

Se a escrita voa como quer Lacan, a palavra fica. Valendo-se dessa fala, esses artigos, lançados ao outro, passam a não pertencer ao autor, mas ao leitor que traça o desenho e interpreta o que cada um escreveu. Uma vez cifrado na letra escrita, o saber revelado em cada escrito faz retorno, mas nunca mais na repetição, e nesse momento busca o processo de criação.

 

 

Página 2, primeiro parágrafo:

 

No desenvolvimento da disciplina Educação e Tecnologia da Comunicação e da Informação procuramos situar o sujeito nas suas relações com o outro no cenário chamado contemporaneidade. Refletimos sobre as contradições da sociedade atual e informática, tão profundas quanto paradoxais: o desemprego estrutural, apesar da produção de riquezas geradas pelos crescentes processos de automação; o isolamento dos indivíduos, apesar do aumento das facilidades de comunicação e intercâmbios propiciados pela tecnologia; o acesso ilimitado de informações digitalizadas, apesar da crescente manipulação e sujeição das mentes dos cidadãos através de estímulos subliminares.

 

    

Página 5, último parágrafo:

 

As dificuldades foram muitas: escrever, acolher pareceres, refazer, reescrever, é não só um ato enganoso e às vezes escapa o que queremos dizer com esta ou aquela palavra. Para não concluir, vamos permitir que o novo se apresente agora com os autógrafos, e os leitores nos mostrem caminhos ancorados numa lei, esta é uma tarefa maldita, mas necessária, para que essa obra não se perca, ao contrário, encontre-se, mesmo sabendo que a incerteza atormenta um laço possível.

 

2)  GLOBALIZAÇÃO,TECNOLOGIA E OS PRESSUPOSTOS DA APRENDIZAGEMO ON-LINE

 

Página 22, penúltimo parágrafo:

 

Esse novo paradigma percebe o mundo como uma teia dinâmica onde tudo se relaciona. O processo de construção do conhecimento requer a ruptura com a visão fragmentada, disciplinar, isolada e aponta para a importância da interlocução entre as disciplinas que devem se interconectar, como teia interligada.

 

3) HIPERTEXTUALIDADE E FORMAÇÃO DOCENTE: APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS EM REDE

 

Página 40, primeira citação:

 

Hoje não é pensável uma totalidade que não seja potencial, congetural plural [...]quem é cada um de nós se não um conjunto de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? [...] cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostra de estilos, onde tudo pode ser continuamente misturado e reorganizado em todos os modos possíveis. (Ítalo Calvino, Lezioni Americane, citado por Varisco, 1995:13)”

 

 

4) HIPERTEXTO: DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0

 

Página 50, final do primeiro parágrafo:

 

Relevante ressaltar que, ao considerarmos o hipertexto como uma das mais marcantes e revolucionárias tecnologias da informação e da comunicação, ele também se enquadra, enquanto tecnologia que é, na “Primeira Lei de Kranzberg”, que preconiza: “A tecnologia não é boa, nem ruim e também não é neutra” (CASTELLS, 2006). No mesmo caminho Schaff (1995) enfatiza que nenhum avanço do conhecimento humano é em si reacionário ou negativo, já que tudo depende de como o homem o utiliza como ser social.”

 

Página 51, segunda citação de texto:

 

“Um texto é uma máquina preguiçosa que pede ao leitor para fazer parte do seu trabalho (ECO, 1994, p. 55, apud COSCARELLI, 2006, p. 68).”

 

Página 61, final, pesquisas de Rigolin:

 

“Pesquisas citadas por Rigolin (2006) indicam que a leitura na tela do computador é cerca de 30% mais lenta que em textos impressos. Desta forma, a leitura diretamente na tela do computador é mais cansativa, fazendo com que a compreensão decaia com o tempo”

 

Página 64, último parágrafo:

 

“A história prova que uma nova forma de comunicação não se sobrepõe completamente a outra. A escrita não suplantou a oralidade. A imprensa não substituiu completamente os manuscritos. A fotografia não substituiu as artes plásticas, nem a televisão suplantou o rádio. Cada tecnologia encontra seu lugar no mundo e assim ocorre atualmente com o hipertexto e o livro”

 

5) INDAGAÇÕES SOBRE A COMUNICAÇÃO DIGITAL COM FOCO NA EDUCAÇÃO ON-LINE

 

Página 76, citação final de Domenico de Masi:

 

“Domenico de Masi1 afirma: “a desestruturação do tempo e do espaço [...] Essas duas categorias estão se transformando de um modo radical [...] E todas as ações humanas, até mesmo os pensamentos, possuíam tempos e lugares específicos: o amor, de noite em casa, o trabalho,de manhã no escritório,  as compras, num determinado bairro, a diversão, num outro, e assim por diante. Ora com o fax, o celular, o correio eletrônico, a Internet, a secretária eletrônica, nós podemos fazer tudo em todo e qualquer lugar. Usos, mentalidades e sentimentos separam-se sempre mais dos lugares e dos horários. Chega-se ao ponto em que até o sexo pago pode ser feito por telefone, a distâncias intercontinentais”.

 

Página 78, Toffler, final:

 

“A civilização da terceira onda tem sido chamada de sociedade da informação. Poucos se perguntaram porque a informação se tornou tão importante na terceira onda. A razão está no fato de que os sistemas sociais, isto é, a sociedade, se desmassificou, e, conseqüentemente, se complexificou, a tal ponto que, hoje,  é impossível geri-la sem informação e sem tecnologia da informação (computadores e telecomunicações)[...]Uma infra-estrutura eletrônica e computadorizada é indispensável para acelerar as mudanças e tudo o mais”

 

 

6) A EDUCOMUNICAÇÃO E A PRODUÇÃO DE MÍDIAS ALTERNATIVAS

 

Página 82, citação 4:

 

“Diz M. Silva: “A telemática interliga o mundo – coisa que a televisão não fez. Entretanto ela exclui, isola – a televisão massifica. Ao mesmo tempo em que a espetacularização da informática interliga o local e o global, ela reproduz a velha separação entre o topo e a base da pirâmide, desta vez como ‘inforricos e infopobres’, onde a nova referência de base é o domínio do ‘novo alfabeto’. Neste caso, a perspectiva da rede não altera a configuração piramidal da sociedade. A telemática amplia as exclusões não exatamente porque o acesso a ela depende de capital econômico e cultural – aqui já estão os excluídos -, mas porque cria o novo alfabeto: o infoalfabeto”.  ”.

 

Página 83, citação 5:

 

“Idem, citando Bell: “A sociedade de informação, segundo seus teóricos, gera mudanças no nível mais fundamental da sociedade. Inicia um novo modo de produção. Muda a própria fonte de criação da riqueza e os fatores determinantes da produção. O trabalho e o capital, as variáveis básicas da sociedade industrial, são substituídos pela informação e pelo conhecimento. A teoria do valor do trabalho, da maneira formulada por uma sucessão de autores clássicos, de Locke e Smith a Ricardo e Marx, é obrigada a ceder lugar a uma ‘teoria do valor do conhecimento’. Agora ‘o conhecimento, e não o trabalho, é a origem do valor”.

 

7) O PAPEL DO EDUCADOR NA SOCIEDADE INFORMÁTICA

 

Página 104, penúltimo e último parágrafos:

 

“Para Toschi (2002) vivemos na sociedade da informação e não na sociedade do conhecimento. É por isso que é tão importante o papel da escola na construção do conhecimento porque ela se apresenta como espaço privilegiado para a seleção crítica das informações, preparando o jovem para desvelar o real na informação que vem pasteurizada e espetacularizada.

Na medida em que a escola promove espaços de interação entre os sujeitos envolvidos num processo de aprendizagem, ela possibilita que informação seja transformada em conhecimento porque as interações permitem discussões, argumentações, comunicações.”.

 

8 ) A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL ALIADA À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

 

PáginaS 131 E 132, Citação de Rubem Alves:

 

“Rubem Alves, ao analisar as opções de cursos que as universidades oferecem aos alunos, traz:

A opção profissional, por conveniência local, impede que o sujeito perceba qual é a sua vocação (…). O que acontece frequentemente é que o diploma universitário segura as alternativas que existem (…). Eu acho que as universidades, sem querer, fazem um desserviço aos jovens porque, quando todo mundo pergunta: O que é que você vai fazer? (…) eles pensam logo no leque apresentado pelas universidades (…). Há muitas outras possibilidades de trabalho..”.

 

9) A FUNÇÃO DA EDUCAÇÃO FRENTE À MÍDIA E SUA INFLUÊNCIA NA PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADES

 

Página 140, final do primeiro parágrafo:

 

“Não possuindo uma grossa camada de pêlos e outra de gordura, como os ursos polares, por exemplo, os homens que vivem em regiões de frio extremo utilizam as peles de animais como esses e produzem roupas que aumentam (por assim dizer) a capacidade do corpo de manter sua temperatura em torno dos 37º C. A roupa é um elemento cultural que faz parte e revoluciona o processo adaptativo humano. O homo sapiens é o único animal capaz de subverter o processo natural de seleção das espécies, pois é capaz de criar instrumentos (roupas, livros, linguagem, como veremos) que compensam faltas (ou mesmo falhas) biológicas.”

 

Página 145, final do primeiro parágrafo:

 

“Em março de 1997, segundo levantamento da Folha de São Paulo, a Rede Globo fazia parte dos sete maiores grupos do assim denominado império da mídia, fazendo parte de um domínio mundial (COIMBRA, 2001). Assim, como afirma Kellner (2005), “a metafísica da publicidade está ligada (…) às ideologias dominantes” (p. 111). E, além de tudo isso, Coimbra mostra que:

…somos convencidos ad nauseam pelos próprios meios de comunicação de que pensamos, sentimos, decidimos e agimos por nós mesmos, de que exercemos o tão decantado livre arbítrio… (COIMBRA, 2001, p. 30).”

 

Página 147, terceiro parágrafo:

 

“Este não é um convite para uma visão pessimista ou fragmentada da educação, pois é fato que são muitos os movimentos da escola; apenas uma provocação para assumirmos que há sim conflitos de gerações – a escola é um espaço de sujeitos históricos – que passa por um sujeito que ensina centrado nas suas experiências de aprendizagem – que são muito textuais na sua grande maioria – e no sujeito que aprende, que nasceu na era da imagem, da tecnologia e que, por isso, funciona e valoriza outros recursos de aprendizagem. Segundo Moran (1993), a escola, ao rejeitar esses meios, está reconhecendo a sua incapacidade de entender o homem de hoje.”

 

Página 151, segundo parágrafo:

 

“Utilizar a mídia na escola é, sem dúvida, um passo importante de um currículo para a vida. Em contrapartida, é essencial ter um ambiente propício para que as práticas sejam coerentes e adequadas e isso requer investimento na formação docente e na reestruturação curricular, ou seja, é preciso mais que intenções, é tempo de agir e implicar-se, é tempo de diminuir as distâncias entre teoria e prática, entre discurso e ação.

 

 

 

Esta última frase de Caio e Mônica Sâmia, entendendo-se a mídia e a escola em seus sentidos mais amplos, para mim sintetiza o que eu penso do tema desta primeira parte do livro. Quanto à segunda parte (“Representações Sociais”), me socorro de Adélia Prado, citada no artigo de Cleyse e Maria Célia Knopp intitulado “EDUCAÇÃO, AFETIVIDADE E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: UMA RELAÇÃO TRIANGULAR POSSÍVEL”:

 

“Minha mãe achava o estudo

A coisa mais fina do mundo.

Não é.

A coisa mais fina do mundo

é o sentimento”

 

 
 

 

 

 

 

 

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