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	<title>Educando e seguindo a canção</title>
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	<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 18:04:23 +0000</pubDate>
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		<title>Olá, galera!</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 17:17:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[


 Caros,
Este é um blog experimental elaborado com o objetivo de testar as funcionalidades do serviço &#8220;meublog&#8221;.
O primeiro teste mais forte foi a clonagem (importação) do blog que mantenho desde nov/2007, o Zeducando (http://joserosafilho.wordpress.com/). Veio quase tudo OK, exceto os vídeos e algumas formatações, o que em princípio é normal !
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
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</script></-> <p>Caros,</p>
<p>Este é um blog experimental elaborado com o objetivo de testar as funcionalidades do serviço &#8220;meublog&#8221;.</p>
<p>O primeiro teste mais forte foi a clonagem (importação) do blog que mantenho desde nov/2007, o Zeducando (<a href="http://joserosafilho.wordpress.com/">http://joserosafilho.wordpress.com/</a>). Veio quase tudo OK, exceto os vídeos e algumas formatações, o que em princípio é normal !</p>
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		<title>O velho e o mar (ou Aleixo Belov, o Amir Klink da Bahia)</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 11:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>

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		<description><![CDATA[
A primeira parte do título deste post é proposital, para repetir o artigo que li no excelente suplemento MUITO do A TARDE de domingo último, sobre a vida de um engenheiro-velejador meio maluco, ucraniano de nascimento, mas baiano de coração, chamado Aleixo Belov.
Por que colocar este post no Zeducando e na Zuniversitas ? Porque o exemplo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
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</script></-> <p><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/06/belov2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-336" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/06/belov2.jpg?w=210" alt="" width="210" height="145" /></a></p>
<p>A primeira parte do título deste post é proposital, para repetir o artigo que li no excelente suplemento <a href="http://www.atarde.com.br/muito/index.jsf">MUITO </a>do A TARDE de domingo último, sobre a vida de um engenheiro-velejador meio maluco, ucraniano de nascimento, mas baiano de coração, chamado Aleixo Belov.</p>
<p>Por que colocar este post no Zeducando e na Zuniversitas ? Porque o exemplo dele é pura educação e tecnologia na prática.</p>
<p>Belov chegou a Salvador com 6 anos de idade, filho de pai comunista, sofreu o diabo na Europa quando pequeno, se formou em Engenharia na UFBA, escreveu alguns livros, constuiu alguns barcos no quintal de sua casa e deu três voltas ao mundo em veleiro solitário, o TRÊS MARIAS, nome dado em homenagem à primeira mulher e suas filhas.</p>
<p>Sobre a vida no mar, ele dá um tapa na nossa consciência pequeno burguesa quando diz sem meias palavras:</p>
<blockquote><p><strong><span style="font-size:x-small;font-family:Tahoma;">&#8216;É MUITO DIFERENTE DAQUELA VIDA MEDÍOCRE DE QUEM ACORDA DE MANHÃ CEDO,<br />
CORRE DO ENGARRAFAMENTO PARA O TRABALHO, TRABALHA, TRABALHA, VOLTA , JANTA, FICA MATANDO O TEMPO EM FRENTE À TELEVISÃO COM UM PROGRAMA ENLATADO. VIAJANDO A VIDA FICA BONITA E VALE A PENA VIVER. VOCÊ TEM CERTEZA DISSO &#8216;</span></strong><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/06/belov11.jpg"></a></p></blockquote>
<p><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/06/belov11.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-335" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/06/belov11.jpg?w=70" alt="" width="70" height="92" /></a></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Agora ele planeja uma nova viagem, após a construção de um veleiro maior (gastou cinco anos nessa labuta), o <span style="color:#0000ff;">Fraternidade</span>, para mais ou menos dez pessoas, uma espécie de veleiro-escola, a bordo do qual pretende fazer mais uma viagem de cincunavegação, que ele chama não de um curso qualquer, mas de uma pós-graduação. Quem se habilitar que entre em contato, pois ele não faz restrição nenhuma quanto à formação da tripulação, ele tem seus critérios próprios para seleção.</p>
<p>Sobre a questão da solidão, comum nesses casos de velejadores solitários, ele diz assim: <strong><span style="font-size:x-small;font-family:Tahoma;">&#8216;AQUI SOU COMANDANTE, MERINHEIRO, TAIFEIRO, PADRE, JUIZ, PREFEITO E PRESIDENTE. TUDO QUEM DECIDE SOU EU A BORDO DESTE MEU PAÍS FLUTUANTE&#8217; (no livro &#8216;A volta do mundo em solitário&#8217;)</span></strong></p>
<p>Talvez a história mais interessante contada por ele foi a seguinte, do livro &#8220;<a href="http://store-moanalivros.locasite.com.br/loja/produtos_info.php/products_id/254?PHPSESSID=07ac511295814e86a225cb4c31c7551c">Terceira volta ao mundo no Veleiro Três Marias</a>&#8220;:</p>
<p><strong><span style="font-size:x-small;font-family:Tahoma;">&#8216;OS POLINÉSIOS DIZIAM QUE SE NÃO HOUVESSE NADA QUE SUGERISSE O RUMO CERTO A SEGUIR,<br />
ERA PRECISO JOGAR UM PORCO NA ÁGUA E ELE, POR PURO INSTINTO, NADARIA EM BUSCA DA TERRA. SABENDO DISSO, PENSEI MUITO EM EMBARCAR UM PORCO A BORDO, MAS DEPOIS PENSEI MELHOR E EMBARQUEI O GPS&#8217;<br />
</span></strong><br />
A seguir um vídeo onde ele mostra sua última obra, o <span style="color:#0000ff;">Fraternidade</span>.</p>
<p style="text-align:center;"><span style="display:block;width:425px;margin:0 auto;">[vodpod id=ExternalVideo.584732&amp;w=425&amp;h=350&amp;fv=%26rel%3D0%26border%3D0%26] </span></p>
<div style="font-size:10px;text-align:center;">more about &#8220;<a href="http://vodpod.com/watch/779160-aleixo-belov-apresenta-o-fraternidade">Aleixo Belov apresenta o Fraternidade</a>&#8220;, posted with <a href="http://vodpod.com/wordpress">vodpod</a></div>
<p style="text-align:center;">Também é dele esta outra frase: <strong><em>&#8220;O sonho é o combustível que nos empurra, nos arrasta para diante. A vida segue e você deixa atrás de si as marcas de suas passadas na superfície da Terra&#8221;</em></strong></p>
<p>Aleixo Belov tem um site de sua empresa de engenharia (<a href="http://www.belov.com.br/novo/template.asp?Nivel=000100010001&amp;IdEntidade=326">http://www.belov.com.br/novo/template.asp?Nivel=000100010001&amp;IdEntidade=326</a>) e outro em construção, este último acredito para seus sonhos náuticos, acho que fez de propósito, só para a gente ficar na expectativa: <a href="http://www.aleixobelov.com.br/">http://www.aleixobelov.com.br/</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Tecnologia e Metodologia</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/24/tecnologia-e-metodologia/</link>
		<comments>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/24/tecnologia-e-metodologia/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 May 2008 10:41:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Midiateca]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das maiores questões do uso da Tecnologia em Educação, misturando os dois temas deste blog, num vídeo criativo que diz tudo, ou quase tudo.
 [vodpod id=ExternalVideo.566650&#38;w=425&#38;h=350&#38;fv=%26rel%3D0%26border%3D0%26]
more about &#8220;Tecnologia e Metodologia&#8220;, posted with vodpod

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das maiores questões do uso da Tecnologia em Educação, misturando os dois temas deste blog, num vídeo criativo que diz tudo, ou quase tudo.</p>
<p><span style="display:block;width:425px;margin:0 auto;"> [vodpod id=ExternalVideo.566650&amp;w=425&amp;h=350&amp;fv=%26rel%3D0%26border%3D0%26]</p>
<div style="font-size:10px;">more about &#8220;<a href="http://vodpod.com/watch/469476-tecnologia-e-metodologia">Tecnologia e Metodologia</a>&#8220;, posted with <a href="http://vodpod.com/wordpress">vodpod</a></div>
<p></span></p>
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		</item>
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		<title>Rapadura é doce, mas não é mole, não!</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/23/rapadura-e-doce-mas-nao-e-mole-nao/</link>
		<comments>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/23/rapadura-e-doce-mas-nao-e-mole-nao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 May 2008 13:28:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Piadas e causos]]></category>

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QUANDO SE TEM DOUTORADO
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1759) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/rapadura.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><strong><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/rapadura_formatura.jpg"></a></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/rapadura_formatura1.jpg"><img class="size-medium wp-image-328 aligncenter" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/rapadura_formatura1.jpg?w=189" alt="" width="189" height="300" /></a></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong>QUANDO SE TEM DOUTORADO</strong></p>
<p>O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1759) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera.(Linneu, 1759) No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.</p>
<p><strong>QUANDO SE TEM MESTRADO</strong></p>
<p>A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.<br />
<strong><br />
QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO</strong></p>
<p>O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.<br />
<strong><br />
QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO</strong></p>
<p>Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.<br />
<strong><br />
QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL</strong></p>
<p>Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.<br />
<strong><br />
QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO</strong></p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rapadura">Rapadura </a>é doce, mas não é mole, não!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ciências, arte e acaso</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/19/ciencias-arte-e-acaso/</link>
		<comments>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/19/ciencias-arte-e-acaso/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 May 2008 10:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao lado de Armando Nogueira e do falecido João Saldanha, Tostão é um dos raros casos neste país de cronista que consegue escrever sobre futebol com criatividade e arte. Publico agora seu texto &#8220;Ciência, arte e acaso&#8220;, destacando as seguintes passagens: 
&#8220;Grande parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade e no que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao lado de Armando Nogueira e do falecido João Saldanha, Tostão é um dos raros casos neste país de cronista que consegue escrever sobre futebol com criatividade e arte. Publico agora seu texto &#8220;<a href="http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/tostao/">Ciência, arte e acaso</a>&#8220;, destacando as seguintes passagens: <a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/foto_tostao1.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-324 alignright" style="float:right;" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/foto_tostao1.gif?w=76" alt="" width="76" height="96" /></a><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/foto_tostao.gif"></a></p>
<p style="padding-left:30px;"><em><span style="color:#0000ff;"><strong>&#8220;Grande parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade e no que não foi ou que não pode ser dito&#8221;.</strong></span></em></p>
<p style="padding-left:30px;"><em><span style="color:#0000ff;"><strong>&#8220;Na Europa se jogava futebol de prosa e, no Brasil, futebol de poesia&#8221; (Pasolini).</strong></span></em></p>
<p style="padding-left:30px;"><em><span style="color:#0000ff;"><strong>&#8220;Jogadores europeus são equilibrados, brasileiros são equilibristas. Europeus são donos do campo, pela disciplina tática e ocupação dos espaços, brasileiros são os donos do jogo, pela improvisação e intimidade com a bola&#8221; (Chico Buarque)</strong></span></em></p>
<p style="padding-left:30px;"> </p>
<p><strong>CIÊNCIA, ARTE E ACASO</strong>  -  Jornal O POVO, domingo, 18/05/2008 - <img src='http://zeducando2.meublog.org/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /><br />
Nesta semana, em uma caminhada pela cidade, na tentativa de fortalecer a corpo e embelezar a alma, um leitor me disse, em educada crítica, que tenho valorizado demais o acaso. É verdade. Mas isso não diminuiu a importância que dou à ciência, à técnica e à arte do futebol. Talvez essa preocupação seja conseqüência também do tempo, de quem passou dos 60 anos. Ficamos mais vulneráveis às armadilhas do acaso.</p>
<p>Acaso não é destino. Nada está escrito. A desculpa do destino serve de consolo para enganar os relapsos e incompetentes e para fugir da culpa. Acaso não tem nada a ver também com o além nem com a vontade dos deuses do futebol. Acaso não é o que não possa ser explicado hoje pela ciência e que será amanhã conhecido. Esse desconhecimento serve de estímulo para a ciência aprofundar os estudos e para os racionais cientistas diminuírem a prepotência de que já sabem tudo.</p>
<p>Os iluministas achavam que a razão era o único caminho para atingir à sabedoria, que a natureza e todas as coisas tinham a mesma lógica da matemática e que, somente pela razão e conhecimento, os homens seriam melhores e mais felizes. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário. Além disso, perceberam que grande parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade e no que não foi ou que não pode ser dito.</p>
<p>O acaso a que me refiro e valorizo é o que não tem nada de especial, mas que não foi planejado nem previsto, e que pode mudar nossas vidas, a história de um jogo de futebol, de um país e até o destino da humanidade. Com freqüência, não há sincronia entre o resultado e a história de um jogo de futebol. Dezenas de imprevistos, como uma bola desviada, mudam tudo. Depois da partida, na nossa racionalidade e com bons argumentos, tentamos dar uma explicação convincente para os fatos.</p>
<p>&#8220;Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde. O apito final estabiliza violentamente aquilo que, no transcorrer do jogo, parece um rio catastrófico de mil possibilidades, a nos arrastar com ele.&#8221; (Aspectos trágicos do futebol - Nuno Ramos).</p>
<p>Em 1971, o cineasta Pasolini escreveu que na Europa se jogava futebol de prosa e, no Brasil, futebol de poesia. Tempos atrás, Chico Buarque chamou os jogadores europeus de equilibrados e os brasileiros de equilibristas. Disse ainda que os europeus eram os donos do campo, pela disciplina tática e ocupação dos espaços, e os brasileiros eram donos do jogo, pela improvisação e intimidade com a bola. Geniais.</p>
<p>Hoje, está quase tudo igual. Por causa da ciência do esporte e do mundo globalizado, o futebol evoluiu, para o bem e para o mal, e se transformou em um jogo excessivamente técnico (tecnicista), tático, veloz, físico e ensaiado. O futebol e a vida continuam prazerosos e bonitos, porque, mesmo em situações previsíveis, comuns e repetitivas, haverá sempre o acaso e um artista, um craque, para transgredir e reinventar a história.</p>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/homecache/books.aspx?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;franq=261373"><br />
<img src="http://i.s8.com.br/images/afiliados/banner/125x125_maio_livro_frete_gratis45.gif" width="125" height="125" border="0" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Caminhando e Cantando</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/16/caminhando-e-cantando/</link>
		<comments>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/16/caminhando-e-cantando/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 May 2008 08:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Baú de livros]]></category>

		<category><![CDATA[Midiateca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://joserosafilho.wordpress.com/2008/05/15/caminhando-e-cantando/</guid>
		<description><![CDATA[Fazendo uma sexta um pouco fora dos padrões deste espaço (sem piadas ou causos), segue a &#8220;canção tema&#8221; deste blog, &#8221;Prá não dizer que não falei de flores&#8221;, de Geraldo Vandré, também homenageando os 40 anos de 1968, certamente um dos mais densos da história do ocidente moderno e de nosso próprio país.
E uma excelente dica para todos: livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#0000ff;"><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=3118&amp;franq=261373"><img class="alignright size-medium wp-image-321" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/1968.jpg?w=69" alt="" width="69" height="104" /></a>Fazendo uma sexta um pouco fora dos padrões deste espaço (sem piadas ou causos), segue a &#8220;canção tema&#8221; deste blog, &#8221;Prá não dizer que não falei de flores&#8221;, de Geraldo Vandré, também homenageando os 40 anos de 1968, certamente um dos mais densos da história do ocidente moderno e de nosso próprio país.</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">E uma excelente dica para todos: livros em mp3, mais uma possibilidade do ciberespaço, no site <a href="http://www.navegamp3.org/">&#8220;Áudio livros em mp3&#8243;</a>, onde se pode baixar e ouvir (!) livros como este do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zuenir_Ventura">Zuenir Ventura</a>: <a href="http://www.navegamp3.org/2007/10/02/zuenir-ventura-1968-o-ano-que-nao-terminou/">1968 - O ANO QUE NÃO TERMINOU</a> !</span>  <img src='http://zeducando2.meublog.org/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
<span style="display:block;width:425px;margin:0 auto;">[vodpod id=ExternalVideo.551665&amp;w=425&amp;h=350&amp;fv=%26rel%3D0%26border%3D0%26] <span style="float:left;"><a href="http://br.youtube.com/watch?v=D_cQz6IElgc">from br.youtube.com</a></span> <span style="font-size:10px;float:right;"><a href="http://vodpod.com/wordpress">posted with vodpod</a> </span></span></p>
<p> </p>
<p><strong>Clique abaixo para ver a letra da música:</strong></p>
<p><span id="more-283"></span>Caminhando e cantando<br />
E seguindo a canção<br />
Somos todos iguais<br />
Braços dados ou não<br />
Nas escolas, nas ruas<br />
Campos, construções<br />
Caminhando e cantando<br />
E seguindo a canção&#8230;</p>
<p>Vem, vamos embora<br />
Que esperar não é saber<br />
Quem sabe faz a hora<br />
Não espera acontecer&#8230;(2x)</p>
<p>Pelos campos há fome<br />
Em grandes plantações<br />
Pelas ruas marchando<br />
Indecisos cordões<br />
Ainda fazem da flor<br />
Seu mais forte refrão<br />
E acreditam nas flores<br />
Vencendo o canhão&#8230;</p>
<p>Vem, vamos embora<br />
Que esperar não é saber<br />
Quem sabe faz a hora<br />
Não espera acontecer&#8230;(2x)</p>
<p>Há soldados armados<br />
Amados ou não<br />
Quase todos perdidos<br />
De armas na mão<br />
Nos quartéis lhes ensinam<br />
Uma antiga lição:<br />
De morrer pela pátria<br />
E viver sem razão&#8230;</p>
<p>Vem, vamos embora<br />
Que esperar não é saber<br />
Quem sabe faz a hora<br />
Não espera acontecer&#8230;(2x)</p>
<p>Nas escolas, nas ruas<br />
Campos, construções<br />
Somos todos soldados<br />
Armados ou não<br />
Caminhando e cantando<br />
E seguindo a canção<br />
Somos todos iguais<br />
Braços dados ou não&#8230;</p>
<p>Os amores na mente<br />
As flores no chão<br />
A certeza na frente<br />
A história na mão<br />
Caminhando e cantando<br />
E seguindo a canção<br />
Aprendendo e ensinando<br />
Uma nova lição&#8230;</p>
<p>Vem, vamos embora<br />
Que esperar não é saber<br />
Quem sabe faz a hora<br />
Não espera acontecer&#8230;(4x)</p>
<p> </p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>13 de maio (de 1888)</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/13/em-homenagem-ao-dia-da-consciencia-negra-e-a-revolta-da-chibata/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 10:15:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://joserosafilho.wordpress.com/2007/11/22/em-homenagem-ao-dia-da-consciencia-negra-e-a-revolta-da-chibata/</guid>
		<description><![CDATA[Republico o post &#8220;Em homenagem ao dia da consciência negra e á revolta da chibata&#8221; (de 22/11/2007) pelo dia de hoje, data por demais significativa para o Brasil, para a Bahia em especial, e para o Ceará, não à toa chamada de &#8220;Terra da Luz&#8221;, mas exatamente porque foi em Redenção, cidade interiorana, onde pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="EC_MsoNormal"><span style="color:#0000ff;">Republico o post &#8220;<strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;">Em homenagem ao dia da consciência negra e á revolta da chibata</span></span></strong>&#8221; (de 22/11/2007) pelo dia de hoje, data por demais significativa para o Brasil, para a Bahia em especial, e para o Ceará, não à toa chamada de &#8220;Terra da Luz&#8221;, mas exatamente porque foi em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Reden%C3%A7%C3%A3o_(Cear%C3%A1)">Redenção</a>, cidade interiorana, onde pela primeira vez os escravos foram libertos neste país, <strong>em primeiro de janeiro de 1883</strong>. Na entrada da cidade pode-se apreciar o monumento abaixo.</span></p>
<p class="EC_MsoNormal" style="text-align:center;"><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/monum_redencao1.jpg"><img class="size-medium wp-image-316" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/monum_redencao1.jpg?w=300" alt="" width="300" height="197" /></a></p>
<p class="EC_MsoNormal">
<p class="EC_MsoNormal"><span style="color:#0000ff;">Precursor desse acontecimento, outro fato e personagem marcante da história: o jangadeiro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Drag%C3%A3o_do_Mar">Francisco José do Nascimento</a>, o &#8220;Dragão do Mar&#8221;, de apelido &#8220;Chico de Matilde&#8221;. Ele se recusou a transportar para os navios negreiros, fundeados no porto de Fortaleza, os escravos que seriam vendidos para o sul do país, isso em 1881. </span><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/dragao_do_mar1.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-thumbnail wp-image-318" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/dragao_do_mar1.jpg?w=76" alt="" width="76" height="96" /></p>
<p class="EC_MsoNormal">
<p class="EC_MsoNormal"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;">A REVOLTA DA CHIBATA</span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><a title="image001.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image001.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image001.jpg" alt="image001.jpg" /></a> </span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:medium;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"><span style="font-size:10pt;font-style:italic;">(João Cândido, o Almirante Negro)</span></span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><em></em></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">O Congresso brasileiro restabeleceu, no mês de agosto de 2003, os direitos de todos os marinheiros envolvidos na chamada <span style="text-decoration:underline;">&#8220;Revolta da Chibata&#8221;, ocorrida em 1910</span>. O decreto devolve aos marinheiros suas patentes, permitindo que recebam na Justiça os valores a que teriam direito se tivessem permanecido na ativa. Após 93 anos, resgata-se a memória dos marujos, especialmente do líder da Revolta, João Cândido Felisberto, o &#8220;Almirante Negro&#8221;.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Para entender a história de João Cândido e da Revolta da Chibata - uma das poucas revoltas populares que atingiu seus objetivos no Brasil - é preciso voltar a 1910. Neste ano, no meio de uma grande instabilidade política, o militar Hermes da Fonseca é eleito para a presidência. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Na noite do dia 22 de novembro de 1910, o novo presidente recebe a notícia: os canhões de alguns dos principais navios de guerra da Marinha Brasileira – neste momento ancorados em frente à cidade, na Baía de Guanabara - apontam para a capital do Rio de Janeiro e para o próprio palácio de governo. As tripulações se rebelaram e tomaram os principais navios da frota.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><span style="font-size:12pt;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"> <a title="image002.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image002.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image002.jpg" alt="image002.jpg" /></a></span></span></span><a title="image002.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image002.jpg"></a></span></span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;font-style:italic;">(O Minas Gerais, um dos modernos navios recém-adquiridos pela Marinha na época da Revolta)</span></span></em></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Três oficiais e o comandante do encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves, estão mortos. Os demais oficiais são pegos de surpresa: os marinheiros manobram a frota exemplarmente, como não acontecia sob seu comando. O movimento, articulado por marinheiros como Francisco Dias Martins, o &#8220;Mão Negra&#8221; e os cabos Gregório e Avelino, tem como seu porta-voz o timoneiro João Cândido.</span></span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">A última chicotada</span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Os motivos principais da Revolta eram simples: o descontentamento com os baixos soldos, a alimentação de má qualidade e, principalmente, os humilhantes castigos corporais. Estes haviam sido abolidos no começo do século, acompanhando o final da escravidão, sendo depois reativados pela Marinha como forma de manter a disciplina a bordo. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"> <span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><a title="image003.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image003.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image003.jpg" alt="image003.jpg" /></a></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"> <em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;font-style:italic;">(Ao lado de um dos Marinheiros, João Cândido lê o manifesto da Revolta: fim dos castigos corporais)</span></span></em></span></span></p>
<p><em></em></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">No Minas Gerais, por exemplo, no dia da Revolta, o marinheiro Marcelino Menezes é chicoteado como um escravo por oficiais, à frente de toda a tripulação. Segundo jornais da época, recebe 250 chibatadas. Desmaia, mas o castigo continua. O movimento então eclode. João Cândido no primeiro momento não está presente. No calor da luta, são mortos os oficiais presentes no navio, o que terá conseqüências trágicas para os revoltosos.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"> <span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><a title="image003.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image003.jpg"></a><a title="image004.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image004.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image004.jpg" alt="image004.jpg" /></a></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"> (<span style="font-size:12pt;font-style:italic;">Para surpresa dos oficiais a marujada manobrava sozinha os navios)</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Além do Minas Gerais, os marinheiros tomam os navios Bahia, São Paulo, Deodoro, Timbira e Tamoio. Hasteiam bandeiras vermelhas e um pavilhão: &#8220;Ordem e Liberdade&#8221;. A frota inclui mais de 80 canhões, que são apontados para a cidade. Alguns tiros de aviso chegam a ser disparados. Os marujos enviam um radiograma, onde apresentam ao governo suas exigências: querem o fim efetivo dos castigos corporais; o perdão por sua ação e que melhorem suas condições de trabalho. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">A Marinha quer punir a insubordinação e a morte dos oficiais. O governo, contudo, cede. A ameaça à cidade e ao poder de Hermes da Fonseca são reais. Aprovam-se então medidas que acabam com as chibatadas e também um projeto que anistia os amotinados. Depois de cinco dias, a revolta termina vitoriosa. </span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">A despedida do marinheiro</span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;"> <span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><a title="image003.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image003.jpg"></a><a title="image004.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image004.jpg"></a><a title="image005.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image005.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image005.jpg" alt="image005.jpg" /></a></span></span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;"> (<em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:x-small;"><span style="font-size:10pt;font-style:italic;">Os jornais da época anunciam o término da Revolta: quase 3.000 pessoas. Os mais ricos - fugiram da cidade. A população subiu aos morros para ver as manobras da Armada)</span></span></em></span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"><span style="font-size:12pt;">Os marinheiros, em festa, entregam os navios. O uso da chibata como norma de punição disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil finalmente está extinto. </span> </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Logo, no entanto, o governo trai a anistia. Os marinheiros começam a ser perseguidos. Surgem notícias de uma nova revolta, desta vez no quartel da Ilha das Cobras. O governo recebe plenos poderes do Congresso para agir. A ilha é cercada e bombardeada. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Cerca de 100 marinheiros são presos e mandados, nos porões do navio &#8220;Satélite&#8221; - misturados a ladrões, prostitutas e desocupados recolhidos pela polícia para &#8220;limpar&#8221; a capital - para trabalhos forçados na Comissão Rondon, ou simplesmente para serem abandonados na Floresta Amazônica. Na lista de seus nomes, entregue ao comandante do &#8220;Satélite&#8221;, alguns estão marcados por uma cruz vermelha. São os que morrerão fuzilados e, depois, serão jogados ao mar. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;"><span style="font-weight:bold;font-size:13.5pt;"><a title="image003.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image003.jpg"></a><a title="image004.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image004.jpg"></a><a title="image005.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image005.jpg"></a> <a title="image006.jpg" href="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image006.jpg"><img src="http://zeducando2.meublog.org/files/2007/11/image006.jpg" alt="image006.jpg" /></a></span> </span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;font-style:italic;">(João Cândido é conduzido para a prisão)</span></span></em></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">João Cândido, embora não tenha participado do novo levante, também é preso e enviado para a prisão subterrânea da Ilha das Cobras, na noite de Natal de 1910, com mais 17 companheiros. Os 18 presos foram jogados em uma cela recém-lavada com água e cal. A cela ficava em um túnel subterrâneo, do qual era separada por um portão de ferro. Fechava-a ainda grossa porta de madeira, dotada de minúsculo respiradouro. O comandante do Batalhão Naval, capitão-de-fragata Marques da Rocha, por razões que ninguém sabe ao certo, levou consigo as chaves da cela e foi passar a noite de Natal no Clube Naval, embora residisse na ilha. </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">A falta de ventilação, a poeira da cal, o calor, a sede começaram a sufocar os presos, cujos gritos chamaram a atenção da guarda na madrugada de Natal. Por falta das chaves, o carcereiro não podia entrar na cela. Marques da Rocha só chegou à ilha às oito horas da manhã. Ao serem abertos os dois portões da solitária, só dois presos sobreviviam, João Cândido e o soldado naval João Avelino. O Natal dos demais fora paixão e morte.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">O médico da Marinha, no entanto, diagnosticou a causa da morte como sendo &#8220;insolação&#8221;. Marques da Rocha foi absolvido em Conselho de Guerra, promovido a capitão-de mar-e-guerra e recebido em jantar pelo presidente da República. </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">João Cândido continuou na prisão, às voltas com os fantasmas da noite de terror. O jornalista Edmar Morel (1979, p. 182) registrou assim seu depoimento pessoal: &#8220;Depois da retirada dos cadáveres, comecei a ouvir gemidos dos meus companheiros mortos, quando não via os infelizes, em agonia, gritando desesperadamente, rolando pelo chão de barro úmido e envoltos em verdadeiras nuvens da cal. A cena dantesca jamais saiu dos meus olhos.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Atormentado pela lembrança dos companheiros mortos, João Cândido é algum tempo depois internado em um hospício. </span></span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">Perto do mar, as &#8220;pedras pisadas do cais&#8221;</span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Aos poucos, ele se restabelece. É solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes não o aceitam: nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido. João Cândido continuará contudo perto do mar, até morrer, em 1969, aos 89 anos de idade, como simples vendedor de peixe. </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Os que fizeram a Revolta da Chibata morreram ou foram presos, desmoralizados e destruídos. Seu líder terminou sem patente militar, sem aposentadoria e semi-ignorado pela História oficial. </span></span><span style="font-family:Verdana;font-size:x-small;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">No entanto, o belíssimo samba &#8220;O Mestre-Sala dos Mares&#8221;, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre &#8220;nas pedras pisadas do cais&#8221;. A mensagem de coragem e liberdade do &#8220;Almirante Negro&#8221; e seus companheiros resiste.</span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">HOMENAGEM DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC À &#8220;REVOLTA DA CHIBATA&#8221;</span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Sobre a censura à música, o compositor Aldir Blanc conta: &#8220;Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (&#8230;) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o &#8220;bonzinho&#8221;, disse mais ou menos o seguinte:</span></span></p>
<ul>
<li class="EC_MsoNormal"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Vocês não então entendendo&#8230; Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando&#8230; </span></span></li>
<li class="EC_MsoNormal"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um &#8220;telefone&#8221; nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa: </span></span></li>
</ul>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">- O problema é essa história de negro, negro, negro&#8230;&#8221;</span></span></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">MÚSICA DE JOÃO BOSCO E ALDIR BLANCI </span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-weight:bold;font-size:12pt;">EM HOMENAGEM A REVOLTA DA CHIBATA</span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Mestre-Sala dos Mares&#8221;, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Como diz a música, seu monumento estará para sempre &#8220;nas pedras pisadas do cais&#8221;. A mensagem de coragem e liberdade do &#8220;Almirante Negro&#8221; e seus companheiros resiste.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><span style="font-size:12pt;">Para ouvir: <a href="http://www.divshare.com/download/2850321-faa">http://www.divshare.com/download/2850321-faa</a></span></span></p>
<p align="center">
<table style="margin-left:35.4pt;width:375.85pt;" border="1" cellspacing="1" cellpadding="0" width="501">
<tbody>
<tr>
<td style="border:medium none #ece9d8;width:50.96%;background-color:transparent;padding:3pt;" width="50%" valign="top"><strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">O Mestre Sala dos Mares</span></strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">(João Bosco / Aldir Blanc)</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">(letra original sem censura)</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Há muito tempo nas águas da Guanabara</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">O dragão do mar reapareceu</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Na figura de um bravo <span style="text-decoration:underline;">marinheiro</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">A quem a história não esqueceu</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Conhecido como o <span style="text-decoration:underline;">almirante</span> negro</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Tinha a dignidade de um mestre sala</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">E ao <span style="text-decoration:underline;">navegar</span> pelo mar <span style="text-decoration:underline;">com seu bloco de fragatas</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Jovens polacas e por batalhões de mulatas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Rubras cascatas jorravam das costas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">dos <span style="text-decoration:underline;">negros pelas pontas das chibatas</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Inundando o coração <span style="text-decoration:underline;">de toda tripulação</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que a exemplo do <span style="text-decoration:underline;">marinheiro</span> gritava então</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória aos piratas, às mulatas, às sereias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória à farofa, à cachaça, às baleias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória a todas as lutas inglórias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que através da nossa história</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Não esquecemos jamais</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Salve o almirante negro</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que tem por monumento</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">As pedras pisadas do cais</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Mas faz muito tempo</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"></p>
<p></span></td>
<td style="border:medium none #ece9d8;width:48.48%;background-color:transparent;padding:3pt;" width="48%" valign="top"><strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">O Mestre Sala dos Mares</span></strong><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">(João Bosco / Aldir Blanc)</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">(letra após censura durante ditadura militar)</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Há muito tempo nas águas da Guanabara</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">O dragão do mar reapareceu</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Na figura de um bravo <span style="text-decoration:underline;">feiticeiro</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">A quem a história não esqueceu</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Conhecido como o <span style="text-decoration:underline;">navegante</span> negro</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Tinha a dignidade de um mestre sala</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">E ao acenar pelo mar <span style="text-decoration:underline;">na alegria das regatas</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Jovens polacas e por batalhões de mulatas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Rubras cascatas jorravam das costas</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">dos <span style="text-decoration:underline;">santos entre cantos e chibatas</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Inundando o coração <span style="text-decoration:underline;">do pessoal do porão</span></span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que a exemplo do <span style="text-decoration:underline;">feiticeiro</span> gritava então</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória aos piratas, às mulatas, às sereias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória à farofa, à cachaça, às baleias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Glória a todas as lutas inglórias</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que através da nossa história</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Não esquecemos jamais</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Salve o <span style="text-decoration:underline;">navegante</span> negro</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Que tem por monumento</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">As pedras pisadas do cais</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"><br />
</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;">Mas faz muito tempo</span><span style="font-size:8pt;font-family:Arial;color:#333333;"></p>
<p></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>O país do quem diria</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 08:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Inicio esta semana postando aqui, pela primeira vez, uma crônica do Veríssimo (Luis Fernando Veríssimo), o autor do Analista de Bajé e de tantos outros livros e textos que nos divertem e fazem pensar. Este, como não poderia deixar de ser vndo das bandas do sul, é mais uma crítica bem-humorada ao atual governo Lula. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#000080;">Inicio esta semana postando aqui, pela primeira vez, uma crônica do Veríssimo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Luis_Fernando_Verissimo">Luis Fernando Veríssimo</a>), o autor do Analista de Bajé e de tantos outros livros e textos que nos divertem e fazem pensar. Este, como não poderia deixar de ser vndo das bandas do sul, é mais uma crítica bem-humorada ao atual governo Lula. Se deleitem então com esse &#8220;O país do quem diria&#8221; publicado nos principais jornais brasileiros nesse <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">último fim-de-semana</a>.<br />
</span></p>
<p><img class="alignright" style="float:right;" src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/04/129_1020-verissimo.bmp" alt="" /><em>Um  brasileiro que tivesse ido para o espaço em 2002 e voltado agora teria toda a  razão para estar tonto, e não apenas pelo choque da reentrada na atmosfera.  Teria viajado em meio a manifestações de pânico do mercado financeiro com a   iminência da eleição do Lula e voltado em meio à festa pelo governo Lula ter  recebido a mais alta condecoração que a cabala financeira mundial pode dar, a  Medalha do Pagador Confiável, grau de convertido mor. Nosso perplexo viajante no  espaço não pararia de repetir a frase mais ouvida no país das expectativas  furadas, nestes últimos tempos: &#8220;Quem diria&#8230; Quem diria&#8230;&#8221;</em></p>
<p><em>Quem diria que quem um dia pregou o calote acabaria um pagador premiado? Quem  diria que os barbudos que mudariam tudo quando chegassem ao governo, começando  pela política econômica, não apenas continuariam a mesma política como  conseguiriam o reconhecimento internacional que as fatiotas do governo anterior  não alcançaram?</em></p>
<p><em>Quem diria que em vez do caos que previam com a eleição do Lula os bancos se  vissem, no seu governo, favorecidos e ricos como nunca antes? Quem diria que,  com sua aprovação popular empatando com a aprovação da irmandade financeira, o  governo do PT se transformaria num exemplo inédito de populismo conservador?</em></p>
<p><em>É verdade que o &#8220;quem diria&#8221; pode ser dito com tanto quanto agradável  surpresa, dependendo da expectativa furada de cada um. Para quem tinha  esperanças mais de esquerda, a decepção com o conservadorismo do PT no governo,  mesmo compensada com o golpe para a auto-estima do patriciado brasileiro que é o  prestígio do torneiro-mecânico nas altas rodas do dinheiro, e mesmo com os  avanços simultâneos havidos na distribuição de renda no país, ainda é uma  decepção.</em></p>
<p><em>Para quem já estava fazendo as malas para fugir do caos em 2002, mesmo após o  Lula ter avisado que não faria nada do que eles estavam temendo no governo, o  &#8220;quem diria&#8221; vem acompanhado de um sorriso incrédulo. Quem diria que seria logo  num governo do PT a apoteose do pensamento único?</em></p>
<p><em>O grau de país seguro para investimentos significa, em linguagem menos  cabalística, que é seguro jogar neste cassino. O crupiê não tira cartas da  manga, a roleta está no nível certo. A analogia só não é completa porque nos  cassinos reais a casa costuma ganhar mais do que os apostadores e, no Cassino  Brasil, onde o dinheiro entra e sai sem controles —  e agora entrará e sairá com  mais volume —,  a casa é a que menos ganha.</em></p>
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		<title>Uma imagem vale mais do que mil palavras</title>
		<link>http://zeducando2.meublog.org/2008/05/09/uma-imagem-vale-mais-do-que-mil-palavras/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2008 10:42:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8220;Uma imagem vale mais do que mil palavras. Vai dizer isto com uma imagem.&#8221;

Millôr Fernandes 


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<h3><em><a href="http://www2.uol.com.br/millor/">&#8220;</a></em><a href="http://www2.uol.com.br/millor/">Uma imagem vale mais do que mil palavras. Vai dizer isto com uma imagem.&#8221;</a></h3>
</blockquote>
<h3><a title="Millor wiki" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mill%C3%B4r_Fernandes">Millôr Fernandes</a><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/millor1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-311" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/millor1.jpg" alt="" width="69" height="95" /></a> <a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/charge_millor2.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-313" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/charge_millor2.gif?w=300" alt="" width="300" height="201" /></a></h3>
<p><a href="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/charge_millor1.gif"><img class="aligncenter size-medium wp-image-312" src="http://zeducando2.meublog.org/files/2008/05/charge_millor1.gif?w=300" alt="" width="300" height="187" /></a></p>
<pre></pre>
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		<title>Afinal, nosso Estado é laico ou não ?</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 08:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zeducando2</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>

		<category><![CDATA[Espaço ecumênico]]></category>

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		<description><![CDATA[Posto abaixo, para reflexão, o excelente e atualíssimo artigo do jornalista Hélio Schwartsman sobre Ciência, Religião e Estado, publicado na Folha ONLINE em 31/01/2008.
=======================================================
Ciência sob ataque
Se eu fosse exagerado, diria que a ciência brasileira está sob ataque. Como
não sou, parece mais adequado afirmar que ela vem enfrentando percalços imprevistos.
Há duas semanas a ministra do Meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Posto abaixo, para reflexão, o excelente e atualíssimo artigo do jornalista Hélio Schwartsman sobre Ciência, Religião e Estado, publicado na <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u368285.shtml">Folha ONLINE</a> em 31/01/2008.</p>
<p>=======================================================</p>
<p><strong>Ciência sob ataque</strong></p>
<p>Se eu fosse exagerado, diria que a ciência brasileira está sob ataque. Como<br />
não sou, parece mais adequado afirmar que ela vem enfrentando percalços imprevistos.<br />
Há duas semanas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou de<br />
um evento criacionista e, em seguida, defendeu o ensino de teorias &#8220;alternativas&#8221;<br />
ao darwinismo. Poucos dias depois, reportagem da Folha (só para assinantes)<br />
mostrava que cerca de uma centena psicólogos, advogados, antropólogos e educadores<br />
procurava, através de um abaixo-assinado, impedir um grupo de neurocientistas<br />
de levar a cabo pesquisa que pretende esquadrinhar o cérebro de 50 adolescentes<br />
homicidas de Porto Alegre em busca de marcadores biológicos.</p>
<p>Investidas anticientíficas não são propriamente uma novidade, que o digam<br />
Giordano Bruno e Galileu Galilei. Mesmo em tempos de maior liberdade intelectual,<br />
como a Grécia Antiga, experimentadores do quilate de Eratóstenes e Arquimedes<br />
enfrentavam um certo desdém de filósofos puramente especulativos, então mais<br />
afinados com o &#8220;Zeitgeist&#8221;. O inquietante no caso brasileiro é que os ataques<br />
partam, senão de aliados, ao menos de grupos e instituições que deveriam<br />
em tese apoiar a ciência. Afinal, Marina Silva, na condição de ministra,<br />
representa o Estado brasileiro. Já psicólogos, antropólogos e pedagogos,<br />
embora não costumem militar nas fileiras da &#8220;hard science&#8221;, são &#8211;ou deveriam<br />
ser&#8211; aquilo que antigamente chamávamos de &#8220;Geistwissenschaftler&#8221;, ou seja,<br />
simplificando um pouco, cientistas sociais, os quais deveriam, pelo menos<br />
etimologicamente, estar comprometidos com o método científico.</p>
<p>Comecemos pelo caso mais gritante, que é o dos patrulheiros epistemológicos.<br />
De minha parte, considero a neurociência um campo fértil e promissor, do<br />
qual tem emergido muito material interessante para &#8220;insights&#8221; e reflexões.<br />
Admito, entretanto, que nem todo mundo precisa pensar como eu. É perfeitamente<br />
possível tachar sociobiologia, psicologia evolutiva e genética como &#8220;reducionistas&#8221;<br />
&#8211;o que quer que isso signifique. Mais até, é legítimo preocupar-se com o<br />
efeito que determinadas descobertas possam ter sobre a sociedade. Imagine-se,<br />
por hipótese, que se desenvolva um método de diagnosticar, ainda antes do<br />
nascimento, indivíduos mais propensos a tornar-se criminosos quando adultos.<br />
Tais embriões poderiam ser abortados? Se sim, por decisão de quem? Do Estado?<br />
Dos pais? São questões apaixonantemente controversas. E, por mais intransigentes<br />
que possamos ser na defesa da vida e da pluralidade humanas, nada justifica<br />
deixar de realizar um estudo cujos protocolos éticos se mostrem adequados,<br />
como é o caso do experimento gaúcho. Ele não implica nenhum risco ponderável<br />
para as &#8220;cobaias&#8221; e só ocorrerá se os pesquisadores obtiverem o consentimento<br />
esclarecido dos jovens e de seus pais ou responsáveis e também a autorização<br />
da Justiça.</p>
<p>Não é porque os nazistas cometeram atrocidades evocando a genética &#8211;equivocadamente,<br />
ressalte-se&#8211; que devemos renunciar a compreendê-la. Se um dia investigações<br />
nesse campo levarem a tecnologias eugênicas, precisaremos discutir caso a<br />
caso a moralidade de sua aplicação. De minha parte, como princípio geral,<br />
acho que pais devem poder escolher se vão ou não ter filhos com determinadas<br />
doenças incapacitantes.</p>
<p>Qualquer que seja nossa posição pessoal, quer acreditemos que a vida é um<br />
dom de Deus, quer a consideremos o encontro inopinado de átomos de carbono<br />
com um pouco hidrogênio e oxigênio, não faz muito sentido que um cientista<br />
social &#8211;ou qualquer outra pessoa minimamente ilustrada&#8211; se oponha à realização<br />
de um experimento capaz de ampliar nosso conhecimento por temor das implicações<br />
que tal conhecimento possa ter. Se os nossos solertes &#8220;Geistwissenschaftler&#8221;<br />
estão tão certos de que a empreitada dos neurocientistas dará com os burros<br />
n&#8217;água &#8211;possibilidade bastante real&#8211; que critiquem, como convém ao método<br />
científico, os resultados do experimento, não sua realização. Se estão tão<br />
certos de que a neurociência encerra o ovo da serpente, que o demonstrem<br />
com base em evidências e encadeamentos lógicos, não com ilações e palavras<br />
de ordem. Minha sensação é a de que essa gente, ao defender a proibição pura<br />
e simples, repete os argumentos com os quais a Igreja Católica impedia a<br />
dissecação de cadáveres e promovia outros vetos francamente obscurantistas.</p>
<p>Voltemos agora ao mais delicado caso do criacionismo ministerial. Marina<br />
Silva tem, como cidadã, o direito de professar a fé que bem desejar. Mais<br />
até, não é porque se tornou ministra de um Estado nominalmente laico que<br />
precisaria deixar de comparecer aos cultos de sua igreja, a Assembléia de<br />
Deus. Ela, entretanto, avançou o sinal quando participou do 3º Simpósio sobre<br />
Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São<br />
Paulo, e, à saída, ainda deu uma entrevista na qual, no melhor estilo dos<br />
&#8220;neocons&#8221; dos EUA, sustentou que visões de mundo criacionistas devem ser<br />
ensinadas nas escolas, para que os alunos possam decidir por si mesmos.</p>
<p>Estamos aqui diante de dois problemas. Em primeiro lugar, Marina deveria<br />
ter-se recusado a participar do evento, pela simples razão de que não foi<br />
convidada para falar na condição de simples fiel da Assembléia, ou teóloga,<br />
mas sim por ser ministra do Meio Ambiente, ou seja, uma representante do<br />
Estado. E, nos termos do artigo 19 da Constituição, é vedado ao Estado &#8220;estabelecer<br />
cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento<br />
ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança&#8221;.<br />
Essa, entretanto, é a falta menos grave, que seria facilmente perdoável,<br />
se a ministra não tivesse em suas declarações abraçado também a pedagogia<br />
ultraconservadora, que pretende transformar fatos comprováveis em comprovados<br />
em questões abertas a escrutínio religioso.</p>
<p>Não conheço as opiniões hidrostáticas do papa, mas não importa o que ele<br />
pense ou decrete acerca da fervura da água, o fato é e será que, em condições<br />
normais de temperatura e pressão, ela ferve a 100ºC. De modo análogo, independentemente<br />
do discurso religioso, as bases gerais da teoria evolutiva mais ou menos<br />
como postulada por Charles Darwin no século 19 estão cabalmente comprovadas.<br />
Falácias criacionistas não vão mudar isso. O rol de evidências pró-Darwin<br />
é extenso. Vai da totalidade do registro fóssil até aqui coletado &#8211;e nunca<br />
falseado por nenhum despojo geologicamente impossível_ até a capacidade de<br />
fazer previsões sobre o futuro, como o surgimento de cepas de bactérias resistentes<br />
a novas classes de antibióticos.</p>
<p>O criacionismo em sua mais nova roupagem &#8211;o tal do design inteligente&#8211;<br />
sustenta que a evolução é &#8220;apenas&#8221; uma teoria e cheia de supostas dificuldades,<br />
como se tudo em ciência não fosse &#8220;apenas uma teoria&#8221;, aí incluída a teoria<br />
da gravidade. Seu argumento básico é o de que seres vivos são complexos demais<br />
para ter surgido &#8220;por acaso&#8221;: se eu encontro um relógio, a sutileza e a precisão<br />
das roldanas e engrenagens, me autoriza a supor um relojoeiro; de modo análogo<br />
a arquitetura de estruturas como asas e olhos permitiria inferir um Criador.</p>
<p>&#8220;Non sequitur&#8221;, que, em bom português, significa: é pura bobagem, coisa de<br />
quem não entendeu (ou fingiu que não entendeu) o bê-á-bá do darwinismo. Embora<br />
mutações nos seres vivos de fato ocorram aleatoriamente, a seleção subseqüente<br />
&#8211;que conserva o que é útil e despreza o que não o é&#8211; nada tem a ver com<br />
acaso. Ela é, se quisermos, o avesso do acaso. Trata-se, na verdade, de um<br />
dos poucos processos naturais que conseguem simular o trabalho de projetistas.<br />
Só que funciona ao contrário. Ao preservar traços mesmo que milimétricos<br />
de utilidade e descartar todas as mutações que não servem para nada (a maioria<br />
delas resulta em cânceres, é oportuno lembrar), a seleção consegue, ao longo<br />
de inúmeras gerações, produzir estruturas que passam por entidades concebidas<br />
por uma inteligência.</p>
<p>O que o criacionismo faz é, apoiando-se nessa ilusão, impingir raciocínios<br />
capengas que soarão convincentes a alunos com pouco treinamento epistemológico<br />
e já socialmente orientados a &#8220;aceitar a palavra de Deus&#8221;. Admitir que padres<br />
e pastores profiram tais sandices em epistemológicas em seus templos é uma<br />
necessidade democrática. Mas não faz nenhum sentido repeti-las nas salas<br />
de aula de um Estado laico. Fatos sobre o mundo não são matéria que se decida<br />
com base em convicções pessoais ou maiorias.</p>
<p>E, infelizmente, os neocriacionistas não se contentam em acreditar em Deus.<br />
Querem, sabe-se lá por qual motivo, revestir seu delírio de vestes científicas.<br />
Só que estas não lhe cabem.</p>
<p>O grande erro da comunidade científica norte-americana foi ter esperado tempo<br />
demais antes de reagir às investidas criacionistas, deixando que o discurso<br />
pseudocientífico e aparentemente democrático prosperasse e ganhasse terreno.<br />
Infelizmente, nós, no Brasil, estamos repetindo esse equívoco. Vale lembrar<br />
que o pio casal Garotinho já introduziu o ensino do criacionismo nas escolas<br />
da rede pública do Rio de Janeiro. Consertar as coisas agora será um deus-nos-acuda.</p>
<p>Não deixa de ser irônico que os mesmos sociólogos, advogados e psicólogos<br />
que até há pouco se erigiam em defensores máximos das liberdades agora propugnem<br />
pela censura a pesquisas, e os mesmos religiosos criacionistas que poucos<br />
séculos atrás queimavam livros e pessoas agora recorram à liberdade de pensamento<br />
para apregoar tolices na escola pública. Não acredito em deuses, mas, é forçoso<br />
reconhecer que eles têm um senso de humor infernal.</p>
<p>(Hélio Schwartsman, 42, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia,<br />
publicou &#8220;Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão&#8221;<br />
em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas).</p>
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