mai 06 2008

O mito racial e o QI dos baianos

Diante das sandices ditas semana passada pelo Diretor da Faculdade de Medicina da UFBA, eu prometi a mim mesmo que não iria postar nada neste espaço a esse respeito, só enviei um e-mail aos amigos mais chegados dizendo que, mesmo não sendo baiano “legítimo”, me senti profundamente ofendido com os impropérios. Foi então que tive acesso ao artigo com o título deste post, da pena de Mauro Santayana, que reproduzo abaixo pela sua clareza e profundidade. Teço antes algumas cosiderações:

1) Sobre esta questão racial que se arrasta há cinco séculos nesta nossa Pindorama, uma pergunta apenas: quem não é negro neste país ? (considerando não só o fenótipo, mas também o genótipo);

2) Sobre a “brilhante” idéia surgida há alguns anos de se reservar cotas para negros, por que só para eles ? Homossexuais, índios, nordestinos, mulheres e outros grupos também não teriam direito a cotas ? E é aí que chegamos a uma singela questão matemática: se somarmos todas essas cotas certamente ultrapassaríamos os 100 %…

3) O mais racional seria a proposta da antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, quando propõe, no lugar de cotas raciais, cotas de pobreza.

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“O mito racial e o QI dos baianos”

O mais primitivo dos instintos humanos é o do medo ao diferente. Deixando de lado a evidência científica de que a vida dos homens se iniciou na África, podemos imaginar como foram os primeiros contatos entre os negros e os brancos, surgidos depois da demorada diáspora. Do medo ao diferente, surgiu a astúcia do medroso em buscar, para si mesmo, qualidades superiores às do temido. Não se fundando na realidade genética – o racismo se exacerba em todas as suas manifestações. Não é a aparência que forma a habilidade intelectual e o comportamento ético dos homens. O que identifica os grandes e pequenos grupos humanos é a cultura, são os hábitos, os ritos aos quais se vinculam.

Espanta que um médico e educador, elevado à coordenação dos cursos de medicina da Universidade Federal da Bahia, dê à opinião pública a explicação de que a má avaliação do setor a seu cargo se deve ao baixo quociente de inteligência dos baianos. Embora não tenha associado diretamente esse desprezo à forte presença negra no Estado, ele a insinuou, quando fez a pobre ironia sobre o jogo do berimbau. A Bahia deu ao Brasil alguns de seus maiores intelectuais, a começar por Ruy Barbosa. O grande tribuno tinha seus defeitos, mas nunca lhe faltou a excepcional inteligência. Há centenas de exemplos para mostrar que os baianos têm o mesmo quociente intelectual de todos os outros povos, mas basta acrescentar o nome de Anísio Teixeira. O educador nos trouxe uma filosofia de ensino que – como a de seu sucessor, o pernambucano Paulo Freire – foi desprezada pelas elites, por causa da promessa de libertação que trazia. Anísio ensinava os alunos a pensarem com autonomia, e Freire a entenderem o meio em que viviam e a agirem pela liberdade coletiva. Anísio morreu durante a Ditadura e Freire amargou o exílio. Para as classes dirigentes, só os ricos têm direito a uma boa educação, que ensine a pensar, e pensar em como defender seus interesses de classe.

Professores universitários e representantes de grupos de mestiços enviaram carta ao presidente do STF, pedindo que o tribunal acate as ações que contestam as cotas universitárias para negros.

Entre outros argumentos há o do senhor Leão Alves, do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro: na Amazônia, onde a presença negra foi raríssima, os caboclos – descendentes de índios e brancos – se fazem passar por negros, com o objetivo de obter as vantagens da “discriminação afirmativa”, e entram em choque com os negros, de migração recente. O sistema de cotas, entre outros defeitos, estimula a mentira e o oportunismo e cria antagonismos entre os pobres. As cotas, repetimos, devem ser para todos os pobres, porque só a pobreza é empecilho para a educação de qualidade.

Temos que ter cuidado com a lógica da linguagem. Quando discriminamos alguns afirmativamente, estamos discriminando outros, de forma negativa. Corremos o risco de conceder às minorias os direitos que negamos à maioria. O jurista Yves Gandra Martins foi, para alguns, “politicamente incorreto”, ao dizer que os índios são cidadãos com mais direitos do que os brasileiros em geral. Sua razão lógica não pode ser contestada. Embora ele não tenha assim concluído, podemos dizer que a demarcação das grandes reservas só será admissível quando houver real reforma agrária no país e o acesso igual à terra de todos aqueles que a reivindicam.

A antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, propõe, em lugar de cotas raciais, cotas de pobreza. Só o fato de ser negro não torna a pessoa incapaz de freqüentar boas escolas, alimentar-se bem, ter saúde e amparo familiar – que o prepare para vencer os exames vestibulares. Há famílias negras de classe média, com bons rendimentos, e nível cultural elevado, embora saibamos que o legado da escravidão ainda pesa sobre a comunidade.

O que impede os negros pobres de chegarem à universidade é a mesma coisa que impede os brancos pobres de fazerem o mesmo caminho: a pobreza. Para todos, brancos e negros, a discriminação afirmativa deve começar com boas escolas públicas, assegurando-se aos alunos o direito de alimentar-se bem e desfrutar do mesmo respeito dos mestres e administradores do ensino.

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Sobre este mesmo tema ainda recomendo o artigo CAMPO DE EXTERMÍNIO TAMBÉM NÃO , João Ubaldo Ribeiro , do último domingo. Continue Reading »

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mai 04 2008

A origem dos números

Published by zeducando2 under Zuniversitas

Mais uma “domingueira matemática” (mais certo, neste caso, aritmética):

Neste arquivo é apresentada a origem dos algrismos indo-fenícios-arábicos base 10. Sobre as bases de numeração, sabemos que há hoje várias, as mais usadas sendo a binária (os famosos “0″ e “1″ da computação), a octal e a hexadecimal também usadas em TI, e a mais popular delas, a decimal. Entretanto, o que poucos sabem é que a primeira a ser usada foi a duodecimal (base 12). Algumas terorias indicam que pode ter sido inspirada pelo número de voltas que a Lua dá em torno da Terra durante a translaçao do planeta em volta do Sol ou na soma dos dedos das mãos mais os dois pés. Entretanto eu ainda prefiro a hipótese de que a origem tenha sido na contagem das falanges dos dedos de uma mão, descontado o polegar (falange, falanginha e falangeta).

[slideshare id=386786&doc=aorigemdosnumeros-1209898425253033-9&w=425]

Veja como converter um número de uma base para outra na convertworld.com.

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mai 02 2008

Sou eu assim sem você

Published by zeducando2 under Midiateca

Nesta primemira sexta do mês, um vídeo para rir um pouco.

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abr 29 2008

Educação na Bahia, três casos de sucesso

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Antes de mostrar que relação tem a “ESCOLA POPULAR NOVOS ALAGADOS”, a “BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIA DAS NEVES PRADO” e o projeto “DE UM TUDO E + UM POUCO”, vou comentar a reportagem “Piores índices em educação”, que fez “aniversário” anteontem (27 de abril), mas que continua atualíssima.

O texto, assinado por Luciana Amorim e Fernanda Santa Rosa, saiu no A TARDE de Salvador, caderno “Salvador e região metropolitana” e resumidamente traz a Bahia como um dos piores Estados do país em termos de Educação Fundamental Básica – 1ª a 4ª Série/1º Grau (o terceiro pior, só ganhando do RN e do PI), Educação Fundamental – 5ª a 8ª Série/1º Grau (sexto pior) e Educação Média – 1º a 3º ano/2º Grau (sétimo pior). O índice usado foi o IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, vinculado ao MEC, com sede em Salvador/BA.

As autoras entrevistaram a professora de ensino público Lindnoslen Guelnete, que enfatizou que os índices refletem a falta de prioridade à educação: “Nenhum governo realmente criou uma política pública adequada para o setor, que não é tratado como essencial”. Segundo ela, a lista de problemas inclui a falta de programas complementares que mantenham o estudante na escola e a baixa remuneração dos professores. Quanto ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do governo federal, ela é categórica: “Não acredito em nada que venha de cima para baixo, só quem sabe educação é quem faz educação!”

Bem, apresentado o caos, já por demais conhecido por quem vive em Pindorama, vamos aos casos de sucesso, vejam que há algumas luzes no fim do túnel, por mais comprido que ele seja, mais gente se sensibiliza em iluminá-lo:

I - ESCOLA POPULAR NOVOS ALAGADOS

Vera Lazzaroto é uma professora que trocou um confortável apartamento no Rio de Janeiro por uma palafita em Alagados, periferia de Salvador/BA. Na bagagem o sonho de implantar a Escola Popular Novos Alagados“, surgida numa palafita de 60 metros quadrados. Após 30 anos, são três escolas comunitárias, creche, duas bibliotecas, filarmônica, centro profissionalizante, banco comunitário e o Clube Erê, apoiados por verbas governamentais e doações. Quase duas mil pessoas beneficiadas diretamente, mais de 10 mil crianças e adolescentes já passaram por lá, o que fez o índice de analfabetismo despencar de 74% em 1974 para 0,8 % em 2004. Ela é Mestre em Educação pela UFBA, mas também Mestre em Poética, tinha que ser, pela UFRJ. Foi eleita pela UNESCO como representante da América Latina dos professores em situação de risco: “Meu desafio era descobrir nas crianças da favela as mesmas competências das outras crianças. E isso está provado”. Afora todos os links que aqui coloco para quem quiser viajar mais neste sonho, acrescento que ela criou e alfabetizou os dois filhos em Alagados. Certa feita, quando a filha teve que estudar em outra escola, ela perguntou: “Minha filha, quando você chegar lá na outra escola, e os coleguinhas perguntarem por que você mora em uma favela, o que você vai dizer ?”. A filha respondeu: “Porque minha mãe quer que todas as crianças tenham uma escola e uma casa boa”.

II - BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIA DAS NEVES PRADO

Num pequeno povoado do sertão baiano de menos de mil habitantes, de nome São José do Paiaiá (é ou não é um caso de ’sincretismo sócio-religioso-luso-indígena” ? mistura de São José com o nome de uma tribo guerreira dos kiriris), município de Nova Soure, ergue-se a Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado, um pequeno prédio de dois andares, o único na cidade. A jornalista Liana Rocha, do A TARDE, fez alusão à Esfinge no deserto. De fato, há um quê de mitologia numa biblioteca como esta no meio do sertão, uma das maiores e melhores da Bahia, com, entre outras obras, a edição completa da obra de Moliere do século XVII, em Francês. Tudo obra do professor Geraldo Prado, historiador, mestre e PhD, filho da terra, apreciador de livros, que teve a idéia de alugar uma garagem em 2002 e enviar parte de seus livros do Rio de Janeiro, onde mora, no caminhão do conterrâneo Zé do Bode. Ali há outras preciosidades que não se encontram nem na biblioteca da UFBA, como a obra completa de João Cabral de Melo Neto, autografada, a primeira edição de “Casa-grande e Senzala”, de Gilberto Freire e a “Encyclopedia e diccionario internacional”, considerada por Antônio Cândido como a melhor da língua portuguesa. Conscientização da comunidade é um dos objetivos. Projeto com o BNB garantiu recursos. A Sala Verde, projeto com o Ministério do Meio Ambiente, enriqueceu o acervo sobre ecologia. E convênio com o Serpro vai permitir a inclusão digital através de conexões com a Internet. Nas palavras de seu criador: “Meu sonho é que o homem, o cidadão, mude para melhor.” (38% é a taxa de analfabetismo do município de Nova Soure).

III - DE TUDO E + UM POUCO

Este projeto (e livro) é uma iniciativa da Oi Kabum! Escola de Arte de Tecnologia e vem a ser uma referência cultural das comunidades do Nordeste de Amaralina e do Subúrbio Ferroviário de Salvador/BA. Ligada á ONG Cipó - Comunicação Interativa, é um modelo de centro comunitário de multimídia, um espaço de formação pessoal, social, profissional e técnica de jovens por meio do seu envolvimento na produção de peças de comunicação em fotografia, vídeo, computação e design gráfico. Os materiais são utilizados para promover a mobilização e o desenvolvimento das comunidades. Neste livro se pode ler e ver as histórias, entre outros de Gilmar Brasil, Perinho Santana e ver os desenhos da “Melança da tinta de saco”, enriquecedores para qualquer um. Perinho Santana é o escritor-construtor-habitante da ‘casa-livro’, onde se lê poemas nas paredes, um deles:

“PLATAFORMA,
MINHA TERRA TEM PALMEIRAS
ONDE O TRÉM PASSA POR LÁ
DE FRENTE PARA A RIBERIA
HAVENDO DIVISA COM O MAR !”

Esta personagem-autor, homem simples, nos coloca uma grande lição quando diz que ficou 10 anos sem ver TV, só escrevendo poemas, porque ’só queria mostrar a realidade’… e aí eu me lembrei da professora e jornalista soteropolitana Malu Fontes quando disse em sua crônica de 13/04/2008: “A VIDA QUE SE DEIXA ENGOLIR PELA TELEVISÃO VIRA CIRCO“.

Há uma exposição com as fotos, a pesquisa em tipografia popular, os vídeos e os fotoclips em cartaz na Galeria Pierre Verger, na Biblioteca Central dos Barris, Salvador/BA, de segunda a sexta, das 9h às 21h, sábados, domingos e feriados, das 16h às 21h.

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abr 28 2008

Witricity

Published by zeducando2 under Zuniversitas

eletricidade_sem_fio.jpg Sabe aquele e-mail que você recebe de um amigo que tem sempre coisas boas para ensinar ? E que você, sabendo disso e sem muito tempo, às vezes deixa para ler depois com mais calma? Foi o que aconteceu com este que comento agora.

Witricity é o acrônimo de wireless + electricity.

A evolução da tecnologia “sem fio” é algo marcante no mundo moderno. Gradativamente estamos nos livrando dos fios, evolução esta que pode ser comprovada pelo surgimento e difusão dos laptops, celulares, MP3, Wi-Fi e Bluetooth.

Porém o mais interessante e inusitado é a transmissão de energia sem fio, e o MIT já tem pesquisas nesse sentido há alguns anos. Há experimentos impressionantes nessa área, desconhecidos do público em geral. E, como não poderia deixar de ser, tem brasileiro na área, pois o investigador André Kurns, físico carioca de apenas 25 anos, participa do projeto. Sem muito esforço dá para imaginar que há interesse na não divulgação disso.

Além dessa ‘notícia’, o post que indico e comento aqui ainda nos leva aos inventos e pensamentos do físico Nikola Tesla, tirando da obscuridade este cientista croata criador da corrente alternada e de temperamento contraditório, pois, apesar de ser possuidor de pensamentos humanistas, é acusado de contribuir com a indústria bélica.

Não vou reproduzir integralmente o artigo aqui, deixando o link para quem desejar ver o ‘original’, se é que original ainda exista nesse mundo hipertextual. O nome do texto é “Adeus, fios” e vocês podem encontrá-lo em http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/06/adeus_fios.html

e, apenas para maior motivação e polêmica, reproduzo abaixo a frase final do que foi postado no link acima:

“Estamos engatinhando no aprendizado do mundo que nos cerca. Quanto mais sabemos, mais vemos que aquilo que chamávamos de “magia” ou “impossível” há 10, 100, 200 anos atrás, hoje é TECNOLOGIA. Manipulação dos elementos, como os alquimistas faziam há mais de 1.000 anos, ou como um tal de Jesus curava “milagrosamente” as pessoas.”

 

???

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Ainda sobre Tesla, atualizo este post com um complemento enviado pelo mesmo amigo  que motivou o primeiro post.

Vejam que este cientista era mesmo um visionário e conseguiu prever a Internet muitas décadas antes: http://www.doutrina.linear.nom.br/nikola.htm

Um trecho que pode ser encontrado no link acima:

De acordo com as previsões de Nikola Tesla, o Sistema Mundial da Torre de Wardencliff estaria apto a possibilitar:

1) A interconexão de todas as estações de telégrafos do mundo;

2) O estabelecimento de um serviço de telégrafos secreto e imune a interferências para uso do governo;

3) A interconexão de todos os telefones e estações telefônicas do mundo inteiro;

4) A difusão universal de notícias, música, etc.;

5) A transmissão mundial de textos na forma escrita (cartas, cheques, etc.);

6) A reprodução mundial de fotografias e desenhos;

7) O estabelecimento de um serviço universal de marinha capaz de permitir a orientação dos navegadores de todos os barcos e, conseqüentemente, a prevenção de acidentes e desastres navais.

 

Como se vê, Tesla estava várias décadas à frente de seu tempo. No final do século XIX, quando o rádio acabava de ser inventado e a televisão nem mesmo existia, ele foi capaz de distinguir claramente a possibilidade de que o mundo viesse a desfrutar de uma série de recursos tecnológicos que somente na era da informática chegaríamos a conhecer (através de inventos como, por exemplo, a Internet e o FAX). Porém, como a perspectiva da transmissão não comercial da energia elétrica estava incomodando muita gente, sobretudo os empresários dos EUA, o desenvolvimento do projeto de Tesla sofreu forte censura e não pôde se desenvolver. Esse foi, é claro, o “misterioso” motivo pelo qual a torre de Wandercliff foi condenada à destruição.

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abr 25 2008

A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento

Published by zeducando2 under Piadas e causos

Mais uma para sexta, e de professor:

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

- Quantos rins nós temos?

- Quatro! Responde o aluno.

- Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que se comprazem em tripudiar sobre os erros dos alunos.

- Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala - ordena o professor a seu auxiliar.

- E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.

O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly(1895-1971), mais conhecido como o “Barão de Itararé”.Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:

- O senhor me perguntou quantos rins “nós temos”. “Nós” temos quatro:  dois meus e dois seus. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

 

 

 

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abr 24 2008

A menina e o pássaro encantado (Rubem Alves)

Published by zeducando2 under Canto da poesia

8)
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar.
Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades…
Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.
Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.
“- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você…”.
E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça.
“… Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga.
Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.”
E de novo começavam as estórias.
A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre.
Mas chegava sempre uma hora de tristeza.
“- Tenho que ir”, ele dizia.
“- Por favor não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar….”.
“- Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. “– Eu também vou chorar.Mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.
Assim ele partiu. A menina sozinha chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma idéia malvada.
“- Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz”.
Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera.
Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com estórias diferentes para contar.
Cansado da viagem, adormeceu.
Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro.
“- Ah! Menina… Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias…”.
Sem a saudade, o amor irá embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram- se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não mais agüentou.
Abriu a porta da gaiola.
“- Pode ir, pássaro, volte quando quiser…”.
“- Obrigado, menina. É, eu tenho que partir. É preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito.
Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar…”
E partiu. Voou que voou para lugares distantes. A menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.
“- Que bom, pensava ela, meu pássaro está ficando encantado de novo…”.
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, colocava flores nos vasos…
“- Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro.
Porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum lugar ele haveria de voltar.
AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.
- Quem sabe ele voltará amanhã….
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro

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abr 23 2008

Educação, Tecnologias e Representações Sociais

Published by zeducando2 under Baú de livros, Zuniversitas

Republicando hoje este post de 14 de março, com a parte final contendo comentários sobre erros e destaques deste livro.

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No momento em que vejo este blog ser acessado nos quatro continentes (faz de conta que não conheço a possibilidade técnica do proxy, é melhor para o ego de qualquer um), me vejo lançando um livro em papel, o primeiro, juntamente com outros autores, alunos e professores, da Universidade do Estado da Bahia - Uneb.

No início deste blog, em outubro do ano passado, postei, como “aperitivo“, a introdução do artigo que escrevi para este livro, intitulado originalmente:  “HIPERTEXTO: EVOLUÇÃO HISTÓRICA, A EPOPÉIA DA COMUNICAÇÃO DO HOMEM, DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0″. No livro o título do artigo ‘encolheu’ um pouco e saiu assim: “HIPERTEXTO: DAS PINTURAS RUPESTRES EM CAVERNAS À WEB 2.0″.

Valendo-me da liberdade que este mundo hipertextual e hipermidiático nos oferece, posto a seguir a íntegra da primeira versão deste trabalho, um pouco diferente do que saiu impresso.

          Como não poderia deixar de ser, também faço questão de registrar aqui a crítica de que o meu texto, e os de outros autores, sobretudo os que escreveram mais sobre Tecnologia, infringiu a Lei de Moore, pois o início da gestação do artigo data de mais ou menos março do ano passado, portanto temos quase um ano até o lançamento do livro, e em Tecnologia um ano é muito.

          Hoje, portanto, completo a ‘trilogia básica da vida’ que meu pai tanto falava: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.  

Para baixar o artigo, numa de suas primemiras versões, ainda com o título original e com o abstract, acesse: 

http://www.divshare.com/download/4055575-792

Após dois lançamentos deste livro, um em 14 de março e outro em 04 de abril, e depois de degustar página a página as preciosidades ali contidas, faço agora na continuação deste post, comentários, em duas seções abaixo, sobre os erros que consegui enxergar e os destaques que mais me tocaram.

Esclareço que o que escrevo aqui se refere principalmente à primeira parte do livro, “Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação”.

Sobre a segunda parte, coloco apenas no final uma bela citação-poesia que para mim sintetiza as Representações Sociais no âmbito educacional.

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abr 18 2008

Matemática domingueira

Published by zeducando2 under Zuniversitas

Matemática_GeometriaMatemática num domingo ?

É apenas um pequeno desafio, e o mais interessante é a quebra de paradigma.

Vá até o final, são apenas quatro questões.

Quem sabe você não bate o “recorde mundial” ?

A intenção é ir além da Geometria…

[slideshare id=349952&doc=4-queste1-1208038727593281-9&w=425]

Complementando hoje este post feito no domingo, 13/04:

Segue abaixo a “solução”, nada trivial, enviada por um amigo para a última das quatro questões do desafio  (veja o quarto comentário, vale a pena !)

 

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abr 16 2008

Os verdadeiros tesouros, a Via-Láctea e a Divina Comédia Humana

Published by zeducando2 under Canto da poesia

Um ’causo-poesia’ de Olavo Bilac , a sua “Via-Láctea” e a “Divina Comédia Humana” de Belchior, em letra e música. 

Certa vez, o dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua: - Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu: “Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila, das tardes, na varanda!”. Meses depois, o poeta encontra o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio. - Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que eu tinha! Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Valorize o que você tem, os amigos que estão perto de você, o emprego que Deus lhe deu, o conhecimento que você adquiriu, a sua saúde, o sorriso de seus familiares. Esses são os verdadeiros tesouros.

                                     

XIII

 

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

 Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

 Que, para ouvi-las, muita vez desperto

 E abro as janelas, pálido de espanto…

 

E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi:”Amai para entende-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

 

 

Divina Comédia Humana                                         
música: http://www.divshare.com/download/4270776-131
letra: http://vagalume.uol.com.br/belchior/divina-comedia-humana.html
 

 

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